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Uso de maconha na adolescência pode predispor transtornos mentais, aponta estudo

Adolescentes que usam cannabis têm risco dobrado de transtornos psiquiátricos até os 25 anos, incluindo psicose, depressão e ansiedade

O uso mais frequente de maconha pode prejudicar uma importante habilidade de memória no cérebro, diz estudo
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  • Estudo com 463.396 adolescentes de 13 a 17 anos, acompanhados até os 25, associou o uso de maconha a maior risco de transtornos psiquiátricos na vida adulta jovem.
  • Dados de prontuários entre 2016 e 2023 mostraram que quem usou cannabis teve roughly o dobro do diagnóstico de transtornos psicóticos e bipolares, além de depressão e ansiedade.
  • Em média, os jovens começaram a consumir maconha cerca de dois anos antes de receber o diagnóstico de algum transtorno mental.
  • Pesquisadores apontam que o THC pode aumentar a liberação de dopamina em áreas do cérebro, especialmente em pessoas com predisposição genética, e que potências maiores de cannabis elevam os riscos.
  • A depressão e a ansiedade também aparecem entre os efeitos associados; contudo, a relação diminui com a idade, possivelmente pelo amadurecimento cerebral, embora o uso precoce possa aumentar problemas cognitivos e de dependência.

O uso de cannabis na adolescência está associado a um aumento no risco de transtornos psiquiátricos na juventude, segundo um estudo publicado no JAMA Health Forum. A pesquisa acompanhou 463.396 jovens de 13 a 17 anos por quase uma década, até os 25 anos. Os dados foram retirados de prontuários eletrônicos de consultas pediátricas entre 2016 e 2023.

Ao longo do período, os pesquisadores identificaram que o uso da substância esteve ligado a um aumento significativo no risco de diagnóstico de transtornos psicóticos e bipolares, além de depressão e ansiedade. Em média, os participantes começaram a consumir cannabis cerca de dois anos antes de registrar qualquer transtorno psiquiátrico.

O estudo ressalta que a adolescência é uma fase de desenvolvimento cerebral, com o córtex pré-frontal ainda amadurecendo. Esse atraso no desenvolvimento pode tornar os jovens mais vulneráveis a impactos das substâncias, incluindo alterações na regulação emocional e no comportamento.

Riscos associados a transtornos psiquiátricos

Os resultados mostram relação forte entre uso de cannabis e transtornos psicóticos e bipolares, além de depressão e ansiedade. Médicos afirmam que a percepção de que a planta é inofensiva não condiz com a realidade, especialmente entre adolescentes.

O tetrahidrocanabinol, principal componente ativo, pode aumentar a liberação de dopamina em regiões cerebrais envolvidas no controle de impulsos e no humor, contribuindo para surgimento de sintomas psicóticos. Indivíduos com predisposição genética podem ter esses quadros desencadeados mais precocemente pelo uso.

Além disso, a maior potência de produtos à base de cannabis hoje, com níveis de THC muito superiores aos do passado, pode intensificar efeitos no cérebro e ampliar riscos a jovens usuários.

Depressão, ansiedade e impactos a longo prazo

A pesquisa aponta que a cannabis está associada a maior probabilidade de depressão e ansiedade. A relação é bidirecional: jovens com ansiedade ou depressão podem buscar a substância, e seu uso pode agravar o humor e a ansiedade.

Com o passar dos anos, a força da associação entre cannabis e quadros depressivos ou ansiosos tende a diminuir, possivelmente devido ao amadurecimento cerebral. Fatores como estresse financeiro, trabalho e relacionamentos podem influenciar esse desdobramento.

O estudo também aponta que, quanto mais cedo ocorre o contato com a maconha, maior o risco de dependência e de prejuízos cognitivos, como memória, atenção e foco, com impactos potenciais no desempenho escolar e na vida profissional.

Sinais de alerta e caminhos de cuidado

Especialistas destacam sinais de alerta no comportamento: isolamento, queda escolar, perda de interesse, irritabilidade e mudanças de humor. Episódios de crise de ansiedade ou tristeza persistente exigem avaliação médica imediata.

Pais e responsáveis são incentivados a conversar abertamente sobre o tema e buscar orientação profissional ao notar alterações. Quanto mais cedo for o diagnóstico e o acompanhamento, maiores as chances de cuidados eficazes.

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