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Cura por um nervo promete tratar várias doenças sem remédios

Nervo vago pode modular inflamação em tempo real; dispositivos elétricos já aprovados nos EUA oferecem alternativa a remédios para artrite reumatoide

O nervo vago: estrutura de 200 000 fibras nervosas a conectar o cérebro a órgãos como coração e intestino (Ilustração: GI/Getty Images)
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  • Kevin J. Tracey, neurocirurgião, apresenta o nervo vago como chave para entender e modular a inflamação, tema do livro O Nervo Vago.
  • O nervo vago é o maior nervo do corpo, conectando cérebro a órgãos como coração, estômago e intestinos, permitindo comunicação bidirecional.
  • Existem duas formas de estimulação: dispositivo implantado e TENS, usadas para artrite, epilepsia, depressão, enxaqueca e, em estudos, Alzheimer, arritmia e outros.
  • Nos Estados Unidos, dispositivos de estimulação do nervo vago já foram aprovados pela Food and Drug Administration para alguns casos; no Brasil, a prática ainda está em desenvolvimento.
  • Futuramente, pesquisas indicam aplicação em esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal, diabetes e obesidade, além de avanços em depressão e Alzheimer; são discutidas também medidas não invasivas como meditação e exercícios físicos.

O nervo vago, o maior do corpo, conecta cérebro a órgãos como coração, estômago e intestino. Autor do livro O Nervo Vago, Kevin J. Tracey revela que ele também comanda a resposta inflamatória em tempo real, abrindo caminho para novas terapias.

Tracey, neurocirurgião e professor do Instituto Feinstein, mostra como desde os anos 2000 surgiram evidências de comunicação entre sistemas nervoso e imune. A ideia central é modular a inflamação sem depender apenas de remédios.

No livro, ele descreve experimentos e casos de pacientes que já se beneficiam dessas descobertas. O nervo vago pode ser ativado por meio de estímulação elétrica, com diferentes abordagens terapêuticas.

Nervo vago como alvo terapêutico

Nos EUA, dispositivos de estimulação elétrica para o nervo vago já são testados e aprovados por autoridades regulatórias. No Brasil, a área segue com etapas iniciais de implementação. Em alguns casos, substituem ou complementam tratamentos tradicionais.

Uma modalidade usa um dispositivo implantado, semelhante a um marca-passo, que regula a cadência do nervo vago. Outro caminho utiliza TENS, disciplina comum na fisioterapia, para modular quadros como enxaqueca e dor inflamatória.

Em estudo experimental, a estimulação busca ampliar aplicações para Alzheimer, arritmias e zumbido. Além disso, alguns pesquisadores exploram o uso de ultrassom para sensibilizar o nervo e potencialmente influenciar hormônios envolvidos no peso corporal.

Medidas de estilo de vida, como meditação, exercícios físicos e banho frio, também são sugeridas por Tracey como parte de um conjunto de ações que afetam o funcionamento do nervo vago.

Perspectivas futuras e perguntas em aberto

Tracey aponta que a via anti-inflamatória colinérgica oferece uma alternativa a medicamentos para doenças inflamatórias. A premissa é que dispositivos podem modular a resposta imune com menor efeito colateral e custos recorrentes menores.

Entre as aplicações futuras, surgem expectativas para esclerose múltipla, doença inflamatória intestinal e doenças metabólicas. Pesquisas iniciais indicam potencial nos próximos anos para depressão e Alzheimer.

O pesquisador ressalta o papel do ceticismo saudável na medicina. Mesmo com evidências fortes, a adoção de terapias baseadas em estimulação do nervo vago pode enfrentar resistência ligada a modelos econômicos de mercado farmacêutico.

Tracey enfatiza que mais dados clínicos são essenciais. A combinação de resultados robustos, médicos dispostos a questionar velhos hábitos e tecnologias seguras pode acelerar a disseminação dessas terapias.

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