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Leões abandonam dunas e aprendem a viver na praia

Mudança climática desloca leões do deserto para a Costa dos Esqueletos; doze sobreviventes passam a caçar no mar, com oitenta e seis por cento da dieta marinha

Leões do deserto aprendem a caçar no mar para sobreviver na Namíbia. Entenda como a mudança climática forçou essa adaptação rara
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  • Na Namíbia, leões da Costa dos Esqueletos passaram a morar na praia, com Gamma entre os primeiros a caçar no mar para sobreviver.
  • Existem doze leões na região, parte de uma população total de cerca de oitenta animais, que migraram para o litoral em dois mil e dezessete por causa da escassez de alimento no deserto.
  • A dieta mudou bastante: 86% do que consomem vem do mar, incluindo aves e mamíferos marinhos, e eles conseguem se manter sem água doce por longos períodos.
  • Gamma pertence à primeira geração criada totalmente nesse ambiente costeiro; a imagem foi destaque no concurso Fotógrafo da Vida Selvagem do Ano de dois mil e vinte e cinco.
  • Guardas monitoram os felinos com cercas virtuais e alertas sonoros para evitar conflitos com comunidades locais e apoiar a recuperação da espécie.

O fenômeno observado na Costa dos Esqueletos, na Namíbia, mostra leões do deserto migrando para o litoral em busca de alimento. Um registro da fotógrafa Griet Van Malderen revelou Gamma, uma das leoas que aprendeu a caçar animais marinhos para sobreviver. A imagem ficou em destaque no concurso Fotógrafo da Vida Selvagem do Ano de 2025.

Atualmente, a população de leões na região soma cerca de 80 indivíduos, com apenas 12 deles vivendo ao longo da costa. A mudança de habitat ocorreu em 2017, motivada pela escassez de presas no deserto. A adaptação incluiu dieta marcada pela cooperação entre caça terrestre e marinha, mantendo a espécie em curso de sobrevivência.

Contexto da adaptação

Van Malderen acompanhou Gamma por dias para registrar a caçada na praia, destacando a resiliência dos felinos. O especialista Philip Stander, que atua desde 1980 e criou o Fundo de Conservação do Leão do Deserto, aponta que Gamma pertence à primeira geração adaptada ao litoral. A foto é considerada significativa por retratar o nascimento da vida independente da leoa na praia, após episódios anteriores de expulsão por secas e conflitos humanos.

O que agora chama atenção é a presença marcante do ambiente marinho na alimentação. Dados de observação indicam que 86% da dieta desses leões vem do oceano, incluindo aves e mamíferos marinhos. A adaptação fez com que recebessem o apelido de leões marítimos, únicos a dominar esse ecossistema.

Caminho para a conservação

Natalie Cooper destaca que ver um leão na praia contrasta com a imagem clássica da savana. O cenário costeiro de dunas e mar frio ilustra as mudanças provocadas por secas severas que dizimaram presas terrestres. A pesquisadora reforça que animais marinhos tornaram-se fonte de alimento decisiva para a sobrevivência.

Para a recuperação da população, guardas utilizam cercas virtuais e alertas sonoros para evitar conflitos com comunidades locais. Stander ressalta que a história reforça a capacidade de recuperação da fauna quando há apoio adequado. A imagem de Van Malderen serve como lembrete da fragilidade e da beleza desses predadores.

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