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Peru aposta em bambu para recuperar natureza na região de cultivo de coca

Bambu em VRAEM busca recuperar ecossistemas e gerar renda aos agricultores, na contramão da coca, com retorno de fauna e risco de espécies invasoras

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  • O Programa Bamboo Sustainable Development Project, lançado em 2023 pelo Ministério da Agricultura via PROVRAEM, já beneficiou mais de 2.400 famílias locais e investiu cerca de 16,7 milhões de soles para plantar quase 1.300 hectares de bambu, com previsão de extensão por pelo menos mais três anos.
  • O atual maior bosque de bambu da região fica a poucos quilômetros de Pichari e tornou-se modelo, proporcionando microclima de sombra e umidade que favorecem a biodiversidade e atraem animais, como macacos-prego.
  • A região VRAEM continua fortemente dependente do cultivo de coca, com mais de 36 mil hectares monitorados em 2024 pela DEVIDA, gerando consequências ambientais e de saúde devido ao uso de agrotóxicos.
  • O bambu é visto como alternativa promissora, mas não solução rápida: exige conectividade com outros remanescentes florestais para ampliar a biodiversidade, e há riscos de espécies não nativas invasivas, como Phyllostachys aurea.
  • Desafios de adoção entre os produtores são grandes: o cultivo de coca ainda é muito mais lucrativo; o bambu leva anos para maturar e a atividade de turismo, parte do projeto, é limitada pela situação de emergência no território.

Pichari, Peru — Em uma área perto da cidade, uma floresta de bambu criada por Yuri Paredes atraiu macacos e crianças que observam em silêncio. O objetivo é devolver vida à região do VRAEM, marcada pela expansão de coca e pela degradação ambiental.

Defensores da iniciativa dizem que o bambu ajuda a restaurar ecossistemas e oferece renda para agricultores. O projeto de Desenvolvimento Sustentável do Bambu, lançado em 2023, envolve a região de PROVRAEM, órgão ligado ao Ministério da Agricultura.

Até agora, o programa já investiu cerca de 16,7 milhões de soles (aproximadamente 4,9 milhões de dólares) e plantou quase 1.300 hectares de bambu. A meta é manter o projeto por pelo menos mais três anos.

A maior plantação fica a 6 hectares, próxima a Pichari, e é vista como modelo de sucesso pela PROVRAEM. O bambu de 15 a 20 metros cria um microclima com mais sombra e umidade que favorece a fauna local.

O cultivo é visto como alternativa para comunidades que dependem da coca. Dados de 2024 da DEVIDA indicam mais de 36 mil hectares de coca no VRAEM, para sustentar a economia regional por décadas.

Entretanto, especialistas alertam que o bambu não resolve tudo. O sucesso depende de integração com áreas florestais e de evitar espécies invasoras que possam dominar o ambiente.

Paredes cultiva o bambu desde 2009 e diverte-se com a ideia de ser visto como modelo. Em relação à coca, ele ressalta as dificuldades de manter a produção frente à lucratividade do cultivo tradicional da região.

O bambu também gera renda turística. Paredes deixou o emprego para administrar uma atividade de ecoturismo que atrai visitantes nacionais e estrangeiros, embora o fluxo dependa de fatores de segurança e da geografia de VRAEM.

Especialistas ressaltam que a convivência entre turismo, produção de bambu e conservação exige cuidado. Grandes volumes de visitantes podem alterar hábitos de vida selvagem e prejudicar áreas de conservação.

Apesar dos benefícios, há cautelas: algumas espécies de bambu promovidas pelo programa são nativas e outras são originárias da China, com risco de invasão. A gestão ambiental precisa equilibrar produção, biodiversidade e proteção do ecossistema.

A avaliação do impacto ambiental completo ainda é futura, já que o plantio começou em 2023. A maturidade do bambu permitirá medir impactos na biodiversidade, carbonização do solo e conectividade com florestas vizinhas.

A iniciativa em VRAEM segue como caso único, mostrando que o bambu pode suprir parte da demanda interna por madeira e reduzir pressões sobre áreas de floresta nativa, desde que opere dentro de um mosaico regional de conservação.

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