- Estudo analisou quase 4 mil vocalizações de baleias-cachalote coletadas entre 2014 e 2018 no Caribe.
- Identificaram dois tipos de codas com picos de frequência, lembrando vogais humanas, o que levou a chamá-las de “vogais” das baleias.
- As sequências mostram organização sonora por meio de duração, ritmo, variação de comprimento, diferenças entre indivíduos e coarticulação.
- Ainda não se sabe o significado das vocalizações; o foco é a forma e as regras internas, não o conteúdo.
- Pesquisadores querem mapear cerca de 20 tipos de mensagens básicas, ligadas a ações como mergulhar ou descansar, para entender possível comunicação futura.
Cientistas revelam que baleias-cachalote usam padrões sonoros complexos que se assemelham a vogais humanas. O estudo analisou quase 4 mil vocalizações coletadas entre 2014 e 2018 no Caribe, buscando organização interna dos sons. A pesquisa indica que a comunicação vai além de simples sequências de cliques.
Os blocos básicos de som, chamados codas, apresentam dois tipos de picos de frequência por clique. Um conjunto usa um único pico, o outro, dois picos. Essa divisão lembra a diferenciação de vogais na fala, abrindo a hipótese de regras fonológicas semelhantes às humanas.
A equipe liderada pelo linguista Gašper Beguš, da Universidade da Califórnia em Berkeley, detalha que a distribuição dos sons, a duração, a variação de comprimento, as diferenças entre indivíduos e a coarticulação formam um conjunto com regras internas. O estudo não interpreta significado.
Vogais das baleias e duração
Em sequências iguais, as vogais do tipo a costumam ser mais longas que as do tipo i. Dentro de i, há dois subgrupos, curto e longo, espelhando variações de tempo que alteram significado em línguas humanas.
Indivíduos diferentes exibem padrões idênticos em velocidades distintas, configurando o que os pesquisadores chamam de sotaque das baleias. A variação de ritmo aparece como traço estável entre indivíduos.
A coarticulação ocorre quando um som é influenciado pelo anterior ou pela sequência seguinte. Na baleia, o primeiro clique pode ser puxado pelo contexto da cadência anterior, semelhante ao uso de fonemas na fala humana.
O que resta entender
Ao todo, cinco aspectos estruturais compõem o sistema: distribuição, duração, comprimento, diferenças entre indivíduos e influência entre sons. O objetivo é entender a organização, não o significado das mensagens.
Os cientistas ressaltam que ainda não é possível afirmar que as baleias “falem” como humanos. O conteúdo das vocalizações permanece desconhecido, mas a estrutura sugere que há conteúdo social ou coordenacional potencialmente de interesse científico.
Nos próximos anos, a pesquisa busca identificar cerca de 20 tipos básicos de mensagens associadas a ações como mergulho ou descanso. A expectativa é avançar na compreensão de possíveis interações entre indivíduos.
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