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Cientista encara labirinto radioativo de Chernobyl, o trabalho mais perigoso

Pesquisador percorre o labirinto radioativo de Tchernóbil para monitorar o combustível e manter o reator estável, sob alto risco de radiação

Corredor dentro da central nuclear de Tchernóbil
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  • Cientista Anatolii Doroshenko, de 38 anos, percorre mensalmente um labirinto subterrâneo de cerca de dez metros abaixo do reatoro 4 de Tchernóbil, ainda contaminado pela radiação.
  • O local abriga centros de controle e monitoramento que sobreviveram à explosão de 1986, formando um ambiente extremamente perigoso.
  • Em algumas salas, a radiação permite apenas menos de quatro minutos de trabalho antes de sair; em outras, não é possível permanecer. Doroshenko coleta dados, instala medidores e monitora o combustível nuclear.
  • Existem cerca de 200 toneladas de combustível nuclear ainda sob a unidade 4, com recuperação prevista para durar em torno de quarenta anos; o reator está cercado por um sarcófago e pelo Novo Confinamento Seguro.
  • O pesquisador usa vestuário de proteção completo, passa por controles e descontaminação ao retornar à superfície; ele afirma que o trabalho gera “quase euforia”, mas enfatiza a necessidade de manter o controle para evitar erros.

O reatoro 4 da usina de Tchernóbil, na Ucrânia, ficou devastado pela explosão de 1986. Abaixo das ruínas, a cerca de 10 metros de profundidade, ainda existem centros de controle. Esses espaços sobrevivem ao acidente e permanecem altamente contaminados.

Anatolii Doroshenko, 38 anos, do ISPNPP, percorre esse labirinto mensalmente. Seu trabalho envolve revisar equipamentos, coletar dados, instalar medidores, retirar amostras e monitorar o estado do combustível. A atividade é descrita como extremamente arriscada.

Sob as ruínas

Os escritórios e corredores subterrâneos, hoje em meio a água radioativa e formações de corio, exigem iluminação constante e sinalização detalhada. Em áreas de alta radiação, as tarefas devem ser concluídas em minutos e o pesquisador deve deixar o local imediatamente.

O labirinto abriga parte do que restou do sistema de monitoramento da usina. A radiação permanece presente no piso, nas paredes, nos equipamentos e no ar, impondo regras estritas de acesso e de vigilância constante.

Locais de difícil acesso

Ainda há cerca de 200 toneladas de combustível nuclear na unidade 4, segundo a IAEA. A retirada desses materiais é vista como um processo que levará décadas, reforçando a necessidade de monitoramento contínuo.

O reator 4 está coberto por um sarcófago de cimento e protegido pelo Novo Confinamento Seguro, um domo de aço que visa vedar o local por até 100 anos. O objetivo é impedir a disseminação da radiação.

Proteção e rotina

Para descer ao labirinto, Doroshenko usa camadas de proteção, incluindo protetores de braços e pés, além de um respirador FFP2 com válvula. Em trechos estreitos, ele usa um traje adicional de polietileno.

Ao retornar, passa por controles de descontaminação, com remoção de roupas e ducha obrigatória. Uma estação de dosimetria confirma a ausência de partículas radioativas no corpo.

Compromisso com o tema

O pesquisador relata que o deslocamento pelos corredores subterra​​neos pode gerar uma sensação de euforia, semelhante à escalada de uma grande montanha. Ainda assim, ele enfatiza a importância de manter o controle para evitar acidentes.

Doroshenko afirma que o local é humano, requer vigilância contínua e não deve ser demonizado. Se a descida deixar de ocorrer, o controle sobre os resíduos pode começar a falhar.

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