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Cientistas encontram o primeiro ovo fossilizado de ancestral de mamíferos

Descoberta lança luz sobre a origem dos mamíferos: ovo fossilizado com embrião de Lystrosaurus revela oviparidade e pistas sobre a lactação ancestral

O ovo fossilizado fotografado na sala de controle do ESRF (Unidade de Radiação de Síncrotron Europeia), em Grenoble, na França
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  • Cientistas identificaram o primeiro ovo fossilizado com embrião de Lystrosaurus, ancestral de mamíferos, com embrião dentro do ovo.
  • A análise tridimensional foi realizada com luz de síncrotron de alta resolução no European Synchrotron Radiation Facility (Esrf), em Grenoble, França.
  • Os fósseis foram estudados em amostras da bacia Karoo, na África do Sul, e revelaram casca fina e presença de sínfise mandibular ainda não ossificada no interior.
  • Os resultados sugerem que o animal poderia ter nascido com mandíbula incompleta ainda no ovo, o que, associado ao tamanho do ovo, indica lactação precoce entre mamíferos basais.
  • O estudo reforça a compreensão da reprodução dos mamíferos primitivos e sugere que o leite pode ter servido para cobrir e proteger ovos, em vez de amamentar filhotes durante o nascimento.

Cientistas identificaram o primeiro ovo fossilizado com embrião de Lystrosaurus, ancestral de mamíferos, com cerca de 250 milhões de anos. A descoberta foi publicada na revista Plos One e utiliza análise tridimensional por luz de síncrotron. O estudo ocorreu no ESRF, na França.

A técnica de luz de síncrotron de alta resolução permitiu ver interior do ovo, ainda envolto em rocha, revelando estruturas ósseas do embrião em 3D. O procedimento superou limitações de exames convencionais e de raio-X tradicional.

Participaram do trabalho Julien Benoit e Jennifer Botha, da Universidade de Witwatersrand, Joanesburgo, e Vincent Fernandez, da ESRF, Grenoble. Os pesquisadores indicam que a casca era fina e mole, distinta de ovos de vertebrados com casca dura.

Entre os achados, há uma sínfise mandibular não totalmente ossificada, característica de mamíferos ainda embriões. Segundo os autores, esse traço sugere que o animal ainda estava no ovo ao nascer, não após o nascimento.

Os resultados ajudam a entender a reprodução de mamíferos basais. A pesquisa aponta que o leite pode ter função inicial de proteger ovos, em vez de nutrir filhotes, contribuindo para a origem tardia da lactação.

Os Lystrosaurus eram adaptados a ambientes áridos e apresentavam maturidade sexual precoce. A presença de ovos grandes, recobertos por secreções protetoras, seria compatível com uma estratégia reprodutiva ovípara em contextos de seca.

O estudo também amplia o conhecimento evolutivo entre Synapsida e outros grupos, destacando o papel dos ovos na história reprodutiva dos mamíferos ancestrais e a transição para a lactação como benefício de proteção e alimentação futura.

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