- Relatório conjunto da ONU para alimentação e da Organização Meteorológica Mundial aponta quatro fatores que afetam a produção de alimentos: guerras e geopolítica, calor extremo, ondas de calor marinhas e pragas que prejudicam polinizadores, além do El Niño.
- A guerra comercial dos Estados Unidos sob Donald Trump elevou preços de fertilizantes, tratores e outros insumos, além de reduzir o acesso a mercados externos; tensões com o Irã aumentaram o custo de combustível e fertilizantes.
- O calor desorganiza culturas como soja, trigo e milho, que não se desenvolvem bem acima de 30°C por longos períodos; o gado sofre com temperaturas acima de 25°C; ondas de calor marinhas prejudicam peixes e recifes.
- O El Niño, que pode se formar ainda este ano, tende a elevar temperaturas e secas em várias regiões, com impactos variáveis; no Brasil, houve queda de 10% a 20% na produtividade de soja e milho, além de efeitos sobre leite, suínos, salmões e incêndios.
- Globalmente, o aquecimento já reduziu a produtividade agrícola em cerca de 21% desde a era pré-industrial, e cientistas alertam que próximos El Niño podem trazer ainda mais calor; mudanças de emissões e preparo do setor agroalimentar são necessários.
O relatório da ONU alerta para uma “tempestade perfeita” que ameaça a segurança alimentar global. O documento identifica quatro fatores que afetam a produção de alimentos: mudanças climáticas, guerras, inflação de energia e fenômenos meteorológicos. A soma desses elementos compromete o abastecimento mundial.
O estudo, elaborado pela FAO e pela Organização Meteorológica Mundial, aponta que o calor extremo reduz a produtividade agrícola e afeta a criação de animais. Desastres climáticos se somam a conflitos geopolíticos, elevando preços e dificultando o acesso a insumos.
O relatório destaca que o calor dificulta o cultivo de soja, trigo e milho e prejudica a pecuária, além de impactos nos recursos pesqueiros e em ecossistemas marinhos. Ondas de calor e secas agravam riscos de incêndios e doenças.
Quadro de fatores
O primeiro elemento é a guerra comercial nos EUA, que elevou preços de fertilizantes e máquinas e reduziu o acesso a mercados externos. O conflito com o Irã também elevou custos de combustível e insumos agrícolas, segundo o documento.
O calor persiste como terceiro eixo central. Temperaturas acima de 30°C prejudicam culturas-chave; bovinos sofrem com calor acima de 25°C. O relatório cita impactos globais sem evoluções conhecidas para mitigar esse efeito.
O quarto fator envolve ondas de calor oceânicas e o El Niño. O fenômeno, esperado ainda neste ano, tende a aquecer as águas e aumentar as temperaturas globais, com efeitos regionais variáveis para a produção agrícola.
Impactos regionais
No Brasil, calor e seca vinculados ao El Niño reduziram soja e milho entre 10% e 20%. A produção de leite também diminuiu; os porcos ficaram magros e houve queda na piscicultura. Terras de cultivo enfrentaram incêndios e trabalhadores expostos a dias de trabalho perigosos.
Nos EUA, áreas do oeste e das High Plains enfrentam grande seca, com menos neve registrada em invernos recentes. Dados do Monitor de Secas indicam que grande parte do território permanece seco durante a primavera.
Perspectivas
Especialistas indicam que, com aquecimento de 1,4°C desde a era pré-industrial, a produtividade global já caiu cerca de 21%. O El Niño pode intensificar ou amenizar efeitos locais, dependendo da região. O relatório sugere que mudanças de hábitos e políticas podem reduzir riscos futuros.
O estudo reforça que choques de oferta podem ocorrer de forma sincronizada entre exportadores, elevando a incerteza sobre a disponibilidade de alimentos. A ONU recomenda ações coordenadas para reforçar estoques, melhorar a resiliência agrícola e reduzir emissões.
Entre na conversa da comunidade