- Em camundongos alimentados com dieta aterogênica rica em gordura, bactérias foram observadas migrando diretamente do intestino para o cérebro pelo nervo vago, sem passar pela corrente sanguínea.
- A translocação ocorreu com bactérias vivas, especialmente espécies identificadas no cérebro com alta similaridade genética, em concentrações de 1 a 1.000 células por órgão.
- Cortar cirurgicamente o nervo vago reduziu em até 20 vezes a quantidade de bactérias no cérebro, indicando o papel da via nervosa na passagem.
- Reverter a dieta para alimentação convencional fez com que as bactérias desaparecessem do cérebro ao longo de 14 a 28 dias, sugerindo processo dinâmico e potencialmente reversível.
- Pesquisadores sugerem que, em modelos humanos, o eixo intestino-cérebro poderia oferecer novas estratégias de tratamento para transtornos neurológicos, mas ressaltam a necessidade de estudos em pessoas.
O que aconteceu: bactérias vivas foram observadas migrando do intestino para o cérebro de camundongos. O fenômeno ocorreu pelo nervo vago, sem passar pela corrente sanguínea, em um estudo publicado na PLOS Biology.
Quem está envolvido: pesquisadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, conduziram os experimentos. Em camundongos, a equipe acompanhou a translocação bacteriana associada a uma dieta rica em gorduras, conhecida por provocar disbiose.
Quando e onde: os experimentos foram realizados em modelo animal e o estudo foi divulgado recentemente pela revista científica. O ambiente de pesquisa foi o laboratório da instituição parceira, com análises laboratoriais de cultivo e sequenciamento genético.
Por que aconteceu: a dieta aterogênica de Paigen criou um desequilíbrio na microbiota intestinal, enfraquecendo a barreira intestinal. Bactérias oportunistas migraram para o cérebro pelo nervo vago, em quantidades pequenas, sem formar infecção meningítica.
Como foi comprovado: para confirmar o papel do nervo vago, os pesquisadores realizaram cortesia cirúrgica no nervo em alguns animais. Observou-se redução de até 20 vezes na presença de bactérias no cérebro, em comparação com o grupo sem intervenção.
Resultados adicionais: quando a dieta voltou ao padrão normal, as bactérias deixaram o cérebro gradualmente, em 14 a 28 dias. Os resultados indicam que o processo é dinâmico e potencialmente reversível, conforme as condições intestinais do hospedeiro.
Mudança de tema: além dos camundongos saudáveis, o estudo testou modelos com predisposição a doenças neurológicas. Animais com Alzheimer, Parkinson e transtorno do espectro autista já apresentavam maior permeabilidade intestinal e presença de bactérias no cérebro, mesmo sem intervenção dietética.
Implicações: os autores sugerem que a presença de bactérias no cérebro pode não ser apenas consequência, mas potencial fator contribuinte para o desenvolvimento ou agravamento de transtornos neurológicos. Estudos em humanos são necessários para confirmar se o mecanismo ocorre também em pessoas.
Perspectivas: caso confirmada, a via intestinal poderia ser foco de intervenções terapêuticas, incluindo ajustes dietéticos, probióticos, antibióticos seletivos e estratégias para fortalecer a barreira intestinal, abrindo novos caminhos na neurologia e na neurociência.
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