- Estudo de Stanford e do Imperial College London, com dados do Internet Archive, indica que até maio de 2025, 35,3% dos novos sites foram criados total ou parcialmente com IA.
- A pesquisa aponta crescimento exponencial da presença de IA na criação de sites desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, quando a participação era zero.
- O estudo The Impact of AI-Generated Text on the Internet analisa quanto do conteúdo online é gerado por IA, a percepção pública sobre o tema e o impacto nas conversas virtuais.
- Entre 853 adultos nos Estados Unidos, foram avaliadas seis afirmações sobre IA; a maioria acredita nelas, mas apenas a primeira e a terceira se mantêm estatisticamente válidas.
- A principal preocupação do público é a homogenização da linguagem na web, com 83% tentando perceber uma voz genérica e uniforme.
Diante de dados que começam a consolidar uma nova tendência, pesquisadores da Stanford e do Imperial College London apontam que a IA já participa ativamente da criação de sites. Segundo estudo, desde 2022 há um aumento expressivo de conteúdos gerados por inteligência artificial.
A pesquisa utiliza dados do Internet Archive para medir o envolvimento da IA na produção de textos na web. Ao todo, dois terços dos sites lançados desde 2022 teriam origem humana, mas cerca de um terço seriam outputs automatizados. O objetivo é entender impactos na diversidade e na factualidade.
O estudo, publicado com o título The Impact of AI-Generated Text on the Internet, analisa o quanto o conteúdo gerado por IA influencia o ecossistema online. Três áreas centrais são exploradas: proporção de textos de IA, percepção pública e efeitos em conversas digitais.
De acordo com os autores, o avanço é acompanhado por preocupações com a diversidade semântica e com a precisão factual. A ideia é observar como a presença da IA altera formatos, estilos e a interação entre usuários.
Segundo entrevista concedida ao 404Media, o pesquisador Jonáš Doležal ressalta que a internet passou por mudanças rápidas, com o uso de IA ganhando espaço em menos de três anos. A base de dados envolveu 853 adultos nos Estados Unidos.
Os respondentes foram submetidos a seis afirmações sobre o tema. Entre elas, a ideia de que a IA tende a reduzir a variedade de ideias e pontos de vista, bem como de que a linguagem pode se tornar mais homogênea. Outras frases sugeriam alterações na densidade semântica e na disponibilidade de fontes.
A conclusão estatística aponta que apenas duas afirmações se mostram verdadeiras de forma robusta: a redução de diversidade de ideias e o risco de linguagem genérica. Ainda assim, 83% dos entrevistados percebem tendência de voz uniforme na internet.
Interpretações e próximos passos
Analistas destacam que a difusão da IA na criação de sites traz ganhos de eficiência e padronização de processos. Em contrapartida, destacam risco de fragilidade informacional caso a automatização se torne a regra para conteúdos online.
Organizadores do estudo enfatizam a necessidade de monitorar resultados reais da presença de IA em textos. A pesquisa também ressalta a importância de manter mecanismos de verificação de fatos e de incentivar diversidade de estilos.
Especialistas sugerem políticas de uso responsável de IA em plataformas de publicação. Entre as medidas, está a promoção de identidades claras de conteúdos gerados por IA e a transparência sobre fontes e limitações dos textos produzidos.
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