- Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que a extinção de megafauna há entre cinco e dez mil anos redesenhou as teias alimentares atuais.
- O continente americano foi o mais afetado, perdendo mais de três quartos das espécies com massa superior a 45 quilos nos últimos cinquenta mil anos, o que impactou predadores como tigres-dentes-de-sabre.
- África e Ásia apresentaram perdas proporcionais menores, com variações regionais definidas pela gravidade das extinções.
- A ausência de espécies-chave reduziu o número de presas e predadores, fragilizando cadeias alimentares ainda hoje.
- Os pesquisadores, coordenados por Lydia Beaudrot, analisaram relações predador-presas em trezentos oitenta e nove locais, envolvendo cerca de quatrocentas espécies; o próximo passo é avaliar a vulnerabilidade de comunidades atuais frente a extinções futuras.
A extinção de grandes mamíferos há entre cinco e dez mil anos continua a influenciar as redes de alimentação atuais. Novo estudo, publicado nesta segunda-feira na Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra como esse desaparecimento remodelou teias alimentares em várias regiões do mundo e por que mudanças variam entre continentes.
Pesquisadores analisaram relações predador-presa em 389 locais da América, África e Ásia, considerando cerca de 440 espécies de mamíferos, incluindo ursos, lobos, elefantes e leões. O objetivo foi entender os efeitos duradouros da extinção de gigantes na composição de comunidades.
Entre os resultados, constatou-se que as teias da América apresentam menos presas e, consequentemente, menos animais em comparação com as da África e da Ásia. A gravidade das extinções, porém, divergeu por região, impactando cada ecossistema de forma distinta.
Impactos regionais
Na América, a maioria das espécies com massa superior a 45 quilos desapareceu, levando à perda de predadores como tigres-dente-de-sabre e lobos-terríveis. Esse evento contribuiu para o enfraquecimento da cadeia alimentar local e para padrões atuais de interações entre espécies.
Segundo Chia Hsieh, da mesma universidade, a diferença entre continentes não se deve apenas a clima ou sazonalidade, mas à extensão histórica das extinções. A América foi o continente mais afetado, com perdas acima de 75% nesse grupo de animais ao longo dos últimos 50 mil anos.
Perspectivas para o futuro
Beaudrot ressalta que a análise sugere impactos duradouros nas comunidades atuais. A equipe planeja investigar se as extinções passadas aumentam a vulnerabilidade de ecossistemas frente a novas pressões, incluindo espécies atualmente ameaçadas de extinção.
Os resultados ajudam a entender como a perda de grandes mamíferos molda redes ecológicas ao longo do tempo. A pesquisa reforça a importância de considerar históricos de extinção na conservação de espécies contemporâneas.
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