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Fóssil de réptil marinho pré-histórico com 100 dentes tem pedras no estômago

Ictiossauro com mais de cem dentes encontrado na Alemanha mostra ferimentos que podem ter limitado a caça, com gastrólitos sugerindo mudança de dieta

Reconstrução do Temnodontosaurus cf. trigonodon, que viveu há 180 milhões de anos — Foto: Joschua Knüppe
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  • Fóssil de ictiossauro com mais de 100 dentes foi encontrado na pedreira de Mistelgau, na Alemanha, estimando-se ferro de aproximadamente 180 milhões de anos.
  • O espécime pertence à espécie Temnodontosaurus trigonodon, um dos maiores ictiossauros conhecidos, com crânio de cerca de 1,5 metro e comprimento total estimado em 6,6 metros.
  • O fóssil apresenta múltiplos ferimentos nas articulações do ombro e da mandíbula, sugerindo que a caça e a sobrevivência do animal foram prejudicadas.
  • Gastrólitos — rochas ingeridas para facilitar a digestão — foram encontrados na região abdominal, indicando possível mudança na alimentação devido aos ferimentos.
  • O achado, preservado de forma excepcional, amplia o registro de Temnodontosaurus na região de Alta Franônia e ajuda a entender como grandes predadores jurássicos viviam naquele ambiente.

Um fóssil de ictiossauro com cerca de 180 milhões de anos foi encontrado na pedreira de argila de Mistelgau, na Alemanha. O animal, com mais de 100 dentes, revela detalhes inéditos sobre a alimentação de répteis marinhos pré-históricos.

O exemplar pertence à espécie Temnodontosaurus trigonodon, um dos maiores ictiossauros já conhecidos. O crânio mede aproximadamente 1,5 metro e a estimativa de comprimento total fica em torno de 6,6 metros. O achado abre novas perspectivas sobre a ecologia marinha jurássica.

Partes conservadas do esqueleto incluem crânio, mandíbula, cintura escapular, nadadeiras, coluna e dentes. Fosso de palato e região orbital também foram preservados com detalhes, oferecendo dados raros para esse grupo de animais.

Traços de ferimento e gastrólitos

Os pesquisadores identificaram ferimentos nas articulações do ombro e da mandíbula, sugerindo que a caça do animal pode ter ficado comprometida. Essas lesões indicam uma possível redução na capacidade de caçar.

Gastrólitos foram encontrados na região abdominal, rochas ingeridas para ajudar na digestão. A presença é incomum em Temnodontosaurus e pode sinalizar mudança na dieta diante de ferimentos.

Stefan Eggmaier, do Urwelt Museum Hauff, afirma que os ferimentos podem ter limitado a caça, mas o animal sobreviveu, como evidenciado pelo desgaste dental e pelos gastrólitos identificados.

Contexto do sítio e próximos passos

Mistelgau, região da Alta Francônia, é conhecido por fósseis marinhos bem preservados desde 1998. A descoberta amplia o registro de Temnodontosaurus na área e oferece visão sobre sobrevivência em ambiente hostil.

Pesquisadores pretendem analisar com mais detalhes os dentes e estruturas ósseas para entender melhor a dieta, o comportamento e o ambiente em que o ictiossauro vivia.

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