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Mudanças climáticas podem reduzir atividade física e causar até 700 mil mortes

Calor do aquecimento global pode reduzir a prática de exercícios até 2050, gerando até 700 mil mortes evitáveis e ampliando desigualdades entre países

Mudanças climáticas podem favorecer a inatividade física e levar a até 700 mil mortes
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  • Estudo publicado na The Lancet analisou 156 países entre 2000 e 2022 para projetar impactos da temperatura até 2050, considerando três cenários de emissões.
  • O calor desestimula a prática de exercícios, aumenta o esforço necessário e pode levar a até 700 mil mortes, além de perdas econômicas significativas.
  • Efeito maior em países de baixa e média renda, com aumento médio de 1,85 ponto percentual na inatividade; em países de alta renda o efeito é quase nulo.
  • No Brasil, a inatividade física pode crescer entre 1,1 e 1,7 pontos percentuais até 2050, variando conforme o cenário de emissões.
  • Medidas sugeridas: adaptação urbana com mais áreas sombreadas, ventilação e parques acessíveis, além de orientar exercícios fora do pico de calor e manter hidratação.

O aquecimento global pode reduzir a prática de atividades físicas e ampliar mortes prematuras, aponta estudo publicado na The Lancet. A pesquisa analisa como o aumento das temperaturas, até 2050, afeta a mobilidade e a bem-estar global, com foco em países de baixa e média renda.

Dados de 156 nações ao longo de 23 anos (2000–2022) mostraram que o calor funciona como barreira à prática de exercícios. Modelos estatísticos controlaram renda, poluição e precipitação para isolarem o efeito do calor sobre a atividade física.

Para 2050, pesquisadores projetaram três cenários de emissões (baixas, médias e altas) e estimaram mortes prematuras e perdas econômicas associadas à inatividade física resultante do calor excessivo. O estudo também considerou impactos de diferentes políticas climáticas.

Temperatura x atividade física

O calor eleva o esforço percebido e aumenta o risco de desidratação, prejudicando a prática de caminhadas, ciclismo e exercícios ao ar livre. A força muscular, a cognição e a qualidade do sono também podem ser afetadas, reduzindo a disposição para se movimentar.

O aumento da sudorese e do fluxo sanguíneo na pele eleva o estresse cardiovascular. Em ambientes com pouca sombra e sem refrigeração, a inatividade tende a crescer mais rapidamente, apontam os pesquisadores.

Em média, temperaturas acima de 27,8 °C já reduzem a adesão à atividade física. Cada mês acima da média global eleva a inatividade em 1,44 ponto percentual, com maior impacto em países de baixa e média renda (1,85 p.p.). Em nações de alta renda, o efeito é quase nulo.

E o Brasil?

No Brasil, a inatividade já é uma realidade, não apenas uma previsão. O estudo projeta um aumento de cerca de 1,1 p.p. nos cenários de baixas emissões e aproximadamente 1,7 p.p. nos cenários intermediário e de altas emissões até 2050. O impacto é considerado significativo para a saúde pública.

O pesquisador enfatiza que o país não está entre os casos mais extremos, mas permanece exposto ao mecanismo de inatividade induzida pelo calor. Medidas locais devem considerar infraestrutura, acessibilidade a ambientes fechados e horários mais frescos.

Inatividade física e mortalidade

O estudo estima entre 470 mil e 700 mil mortes evitáveis até 2050 associadas à inatividade, ainda que nem todas as mortes estejam diretamente ligadas ao calor. O elo observado é indireto: calor aumenta a inatividade, que eleva o risco de mortalidade por doenças crônicas.

Especialistas da área ressaltam que a inatividade favorece obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, osteoporose e certos tipos de câncer, ampliando a necessidade de políticas de promoção do movimento como prevenção de doenças.

Grupos mais vulneráveis incluem idosos, crianças pequenas e pacientes com doenças crônicas, com maiores dificuldades de perceber sinais de sede e de adaptar hábitos de hidratação.

Impactos econômicos

O calor também pode reduzir desempenho e aumentar faltas no trabalho, gerando perdas globais estimadas entre US$ 2,4 bilhões e US$ 3,68 bilhões por ano até 2050. A inatividade física é um dos motores desse impacto econômico.

Estratégias

Especialistas defendem planejamento urbano adaptado ao calor, com áreas sombreadas, mais árvores, ventilação adequada e espaços públicos refrescados. O objetivo é ampliar acessibilidade a atividades ao ar livre sem depender de refrigeramento individual.

Medidas de comunicação sobre riscos são importantes, mas não suficientes sem acesso a locais seguros para prática de atividade física. A prioridade é adaptar espaços públicos, combinar informações sobre riscos e, se possível, criar instalações com climatização para grupos vulneráveis.

Para exercícios em climas quentes, recomenda-se evitar horários de pico, principalmente entre 11h e 14h, e manter a hidratação, respondendo ao sinal de sede com água.

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