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Mudanças hormonais dificultam o emagrecimento, aponta estudo

Estudo observacional sugere que terapia hormonal associada à tirzepatida pode ampliar perda de peso em mulheres pós-menopausa, mas evidência é limitada

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, no Brasil, cerca de 17 milhões de mulheres estão na menopausa – Foto: Freepik
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  • Estudo observacional da Mayo Clinic, publicado na The Lancet, indica que mulheres na pós-menopausa que combinaram terapia hormonal com tirzepatida chegaram a perder até 35% a mais de peso do que aquelas que usaram apenas a tirzepatida.
  • A pesquisa sugere benefício potencial, mas ressalva que se trata de associação, sem comprovar causalidade.
  • A terapia hormonal pode melhorar sintomas da menopausa, sono e disposição, o que favorece hábitos de vida mais consistentes, impactando indiretamente o peso.
  • A tirzepatida é indicada principalmente para obesidade ou sobrepeso com alterações metabólicas; a relação com a menopausa é tema de estudo, não mudança de indicação.
  • Especialistas destacam que mudanças de hábitos — alimentação balanceada e atividade física — continuam essenciais, com remédios apenas como adjuvantes quando indicados.

A Mayo Clinic publicou, na revista The Lancet, dados que sugerem maior perda de peso entre mulheres na pós-menopausa que associaram terapia hormonal à tirzepatida. O ganho de peso foi reduzido com a combinação, em comparação ao uso do medicamento isolado.

O estudo é observacional e aponta associação, não causalidade. A tirzepatida é um fármaco utilizado para diabetes tipo 2 e obesidade. Mulheres que receberam terapia hormonal moderaram melhor o ganho de peso em relação às que não usaram a terapia conjunta.

Especialistas destacam que a menopausa traz mudanças fisiológicas que dificultam o emagrecimento. A queda de estrogênio altera metabolismo, gordura abdominal e massa muscular, impactando o controle de peso ao longo do tempo.

A pesquisadora Isabelle Rodrigues dos Santos explica que alterações no sono, fogachos e ansiedade podem reduzir a adesão a hábitos saudáveis. Narra ainda que a qualidade do sono influencia a motivação para alimentação balanceada e atividade física.

O ginecologista Rui Ferriani ressalta que a terapia hormonal é indicada quando há sintomas vasomotores ou atrofia genital. Não deve ser usada sem indicação médica ou em pacientes com contraindicações, como cânceres dependentes de estrogênio ou risco de trombose.

Ferriani acrescenta que a indicação principal da terapia hormonal é o manejo de sintomas; a tirzepatida, por sua vez, é indicada para obesidade ou sobrepeso com prejuízo metabólico, não pela menopausa em si.

Isabelle aponta que estrogênio e tirzepatida atuam por mecanismos distintos, ainda que possam ser complementares. A pesquisa é observacional e não estabelece causalidade entre as terapias e a perda de peso.

Apesar dos resultados, os especialistas reforçam que a base do tratamento envolve mudanças no estilo de vida. Dieta controlada, prática regular de exercícios e adesão a terapias médicas quando indicadas são fatores centrais para o emagrecimento sustentável.

A perimenopausa, fase de transição que pode durar até dez anos, antecede a menopausa, definida pela ausência de menstruação por pelo menos 12 meses. Nesse período, sintomas hormonais costumam intensificar dúvidas sobre manejo da saúde.

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