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Projeto britânico propõe liberar sal no ar para frear o aquecimento global

Projeto britânico usa sal marinho para aumentar refletividade de nuvens; ensaios ao ar livre previstos para 2027, gerando debate sobre riscos e eficácia

Aquecimento global é o vilão climático do mundo — Foto: Unsplash
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  • Pesquisadores da Universidade de Manchester trabalham na clarificação de nuvens, borrifando sal marinho em nuvens marinhas para aumentar a reflexão da luz solar e reduzir o aquecimento global.
  • O projeto Reflect é financiado pela Agência de Pesquisa e Invenção Avançada (Aria) do governo britânico, dentro de um programa de £57 milhões que reúne 22 grupos de pesquisa.
  • A ideia base é que nuvens com gotículas menores refletem mais luz; o sal é usado em vez de poluentes para reproduzir esse efeito de forma controlada.
  • Se os testes de laboratório forem bem-sucedidos, o primeiro ensaio ao ar livre no Reino Unido está previsto para 2027, borrifando uma pluma de vapor salino próximo à costa e monitorando com drones e radar.
  • Especialistas alertam sobre controvérsias e riscos da geoengenharia solar e ressaltam a necessidade de mais pesquisas antes de qualquer uso em larga escala.

O projeto Reflect, liderado por pesquisadores da Universidade de Manchester, avalia a utilização de sal marinho para clarificar nuvens e aumentar sua reflectividade. A iniciativa faz parte de um programa britânico de alta complexidade voltado a soluções de alto risco para combater as mudanças climáticas. O objetivo é reduzir temporariamente o aquecimento global por meio de alterações na atuação das nuvens marinhas.

O grupo britânico trabalha dentro de uma capela de teste que simula condições atmosféricas, buscando determinar o tamanho ideal das partículas de sal para não prejudicar a formação de gotículas nem se dispersar de forma indesejada. Técnicos calibram equipamentos para avaliar impactos potenciais sem causar efeitos colaterais ambientais.

A pesquisa está vinculada ao programa Reflect, financiado pela Agência de Pesquisa e Invenção Avançada do Reino Unido (Aria). O investimento total soma £ 57 milhões e envolve 22 equipes explorando abordagens de alto risco e alto impacto para desacelerar as mudanças climáticas. As informações foram veiculadas pelo The Daily Mail.

Fundo científico e histórico do tema

A base conceitual é que nuvens formadas por gotículas menores refletem mais a luz solar. Eventos naturais, como erupções vulcânicas, mostraram esse efeito ao aumentar a incidência de nuvens e reduzir temperaturas globais por tempo limitado. Ao mesmo tempo, a redução de poluentes na navegação marítima tem diminuído parcialmente a refletividade de nuvens sobre o Pacífico Nordeste e o Atlântico nos últimos anos.

O Reflect propõe reproduzir esse efeito de forma controlada, com sal marinho em vez de aerossóis poluentes. Em laboratório, os pesquisadores trabalham com uma câmara de aço,inóxida de três andares para definir o tamanho ótimo das partículas que promovem a condensação sem deslocar a composição natural da atmosfera.

Planos para ensaios ao ar livre

Caso os testes laboratoriais avancem, a equipe planeja realizar o primeiro ensaio ao ar livre no Reino Unido dentro de dois anos. A ideia é borrifar uma pluma de vapor salino por poucos minutos, em uma área costeira de alguns quilômetros, com monitoramento de dispersão por drones e radar para evitar impactos além do esperado.

O líder do projeto, o professor Hugh Coe, ressalta que o objetivo geral é reduzir as emissões de carbono a longo prazo. Mesmo assim, ele afirma que a clarificação de nuvens pode abrir espaço para cortes de carbono mais rápidos, desde que as reduções nas emissões avancem paralelamente.

Ponderações, riscos e críticas

A geoengenharia solar permanece entre as áreas mais controversas da ciência climática. Críticos destacam que tais estratégias podem atrasar cortes reais de emissões ao tratar apenas sintomas. Entre os riscos científicos, estudos indicam impactos possíveis em padrões climáticos e precipitação caso a técnica seja aplicada de forma indiscriminada.

A pesquisadora Ying Chen, de outra universidade britânica, aponta que mudanças na irradiação solar podem alterar padrões atmosféricos globais, com magnitude ainda incerta. O debate público e científico permanece aberto, enfatizando a necessidade de mais pesquisas antes de qualquer implementação generalizada.

O professor Coe reforça a mensagem de cautela: diante das emissões que não apresentam queda rápida suficiente, é essencial entender completamente a eventualidade de uso dessa tecnologia como recurso de última linha para evitar consequências ainda maiores.

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