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Elza Berquó, referência da demografia brasileira, é homenageada em documentário

Documentário celebra os cem anos de Elza Berquó, marco para estudos demográficos, saúde reprodutiva e direitos das mulheres no Brasil

Elza Berquó completou 100 anos em 2025 – Foto: Divulgação/Eduardo Nobre
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  • A Fundação Carlos Chagas lançou, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o documentário “100 anos de Elza Berquó: tributo” em homenagem aos 100 anos da pesquisadora.
  • O filme mapeia a trajetória de Elza Berquó, destacando contribuições em saúde reprodutiva, formação de pesquisadores e criação de instituições, incluindo o Cedip na USP.
  • Berquó foi Fundadora do Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (Cedip), ajudou a criar o Cebrap e a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), e participou do PRODIR e do Conselho Curador da FCC por 31 anos.
  • O documentário, produzido pela M.HUB Estúdio Criativo desde setembro de 2025, reúne depoimentos de pesquisadoras e parceiros e teve grande parte das gravações no Cebrap.
  • O documentário completo está disponível gratuitamente no canal da FCC no YouTube.

Em comemoração aos 100 anos de Elza Berquó, pesquisadora referência em demografia e direitos reprodutivos, a Fundação Carlos Chagas (FCC) lançou o documentário 100 anos de Elza Berquó: tributo, em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O filme aborda a trajetória da pesquisadora ao longo de décadas em universidades e institutos, incluindo a USP.

O documentário retrata a atuação de Berquó na saúde reprodutiva, na formação de pesquisadores e na criação de instituições relevantes. Também destaca a demografia como área interdisciplinar, com foco em gênero, direitos e saúde das mulheres, especialmente negras, ampliando o debate científico.

O projeto teve início em setembro de 2025, quando Berquó completou 100 anos. A produção ocorreu principalmente pela FCC em parceria com o Cebrap, com grande parte das gravações realizadas em locais ligados à instituição.

Bastidores da produção

Sandra Gouretti Unbehaum, pesquisadora da FCC e responsável pelo projeto, explica que a ideia era mostrar para o público a importância de Elza e o impacto de sua atuação. O material envolve depoimentos de pesquisadoras, colegas e parceiros.

Paula Garcia e Marcos Rodrigo, da M.HUB Estúdio Criativo, concebiam o documentário a partir de imersões com quem conviveu com Elza. Sandra Garcia, ligada ao Cebrap, trabalhou com a pesquisadora por mais de 30 anos e coordena o núcleo por ela criado.

A produção inclui relatos de demógrafos, antropólogos e outros pesquisadores que tiveram trajetórias marcadas por Berquó. Também constam depoimentos da própria pesquisadora em encontros e palestras do Cebrap. O documentário completo está disponível gratuitamente no canal da FCC no YouTube.

Legado e destaques

Berquó formou-se em matemática pela PUC-Campinas em 1947, fez mestrado em Estatística na USP em 1949 e tornou-se livre-docente em Bioestatística na mesma instituição. Em 1959 obteve doutorado em Bioestatística pela Columbia University.

Ao retornar ao Brasil na década de 1960, criou o Cedip, primeiro centro formal de estudo da demografia no país, local onde iniciou pesquisas sobre fecundidade humana e foi pioneira ao antecipar queda na taxa de fecundidade feminina.

Durante a ditadura, afastada da USP por motivos políticos, Berquó permaneceu ativa pelo Cebrap e fundou, em 1969, o Cebrap. Também integrou a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) e, no início dos anos 1980, criou o Nepo-Unicamp, hoje parte da história da instituição.

Entre seus reconhecimentos, Berquó recebeu o título de Professora Emérita da USP em 2014 e, em 2021, tornou-se a primeira mulher da Unicamp a receber Doutora Honoris Causa.

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