- Em 2025, a Europa enfrentou ondas de calor recordes, incêndios florestais, redução das geleiras (incluindo a Groenlândia) e neve 31% abaixo da média.
- O relatório Estado do Clima Europeu, divulgado na quarta-feira, 29, é assinado por cerca de 100 cientistas e feito pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo.
- A Europa vem aquecendo mais rápido que a média global desde a década de oitenta, cerca de 0,56°C por década nos últimos 30 anos, segundo o observatório Copernicus.
- Quatro fatores explicam esse aquecimento: proximidade com o Ártico; mudanças nos padrões meteorológicos; diminuição da cobertura de neve; e menor poluição do ar que, em geral, resfriava a superfície.
- O aquecimento mais rápido não implica que todos os continentes tenham o mesmo ritmo; países europeus costumam ter maior capacidade de adaptação, com exemplos como Holanda e Veneza investindo em defesas contra elevação do nível do mar.
A Europa enfrentou em 2025 ondas de calor recorde, incêndios florestais de grande magnitude e redução de geleiras. O relatório Estado do Clima Europeu, elaborado por cerca de 100 cientistas, aponta que a massa de gelo da Groenlândia caiu 139 bilhões de toneladas naquele ano, e a cobertura de neve ficou 31% abaixo da média. A divulgação ocorreu nesta quarta-feira pelas organizações meteorológicas internacionais.
O estudo destaca que os impactos da mudança climática são globais, mas a Europa é o continente que mais se aquece. Segundo dados do Copernicus, a média de temperatura do continente aumenta cerca de 0,56°C por década nos últimos 30 anos, mais do que a média global.
O aquecimento europeu não ocorre de forma uniforme. Regiões de altas latitudes, como o norte da Europa e a Europa Central e Oriental, apresentam o crescimento mais rápido das temperaturas, assim como o Ártico. Territórios terrestres aquecem mais rápido do que os oceânicos.
Quais fatores explicam o aquecimento mais intenso na Europa
1) Proximidade com o Ártico aumenta a sensibilidade climática regional, com mudanças atmosféricas e redução de neve impactando o albedo.
2) Alterações nos padrões de circulação atmosférica favorecem ondas de calor mais frequentes e intensas.
3) Diminuição da cobertura de neve reduz a reflexão de radiação solar, acelerando o aquecimento.
4) Menos poluição do ar, resultado de políticas de emissões, também diminui o resfriamento temporário proporcionado pelos aerossóis.
Europa x Brasil: capacidades de resposta à mudança climática
Mesmo com o aquecimento mais rápido, a resposta global varia pela adaptação local. A temperatura mundial já subiu cerca de 1,4°C desde a era pré-industrial. A mobilização de investimento em adaptação tende a ser maior na Europa, por fatores econômicos e tecnológicos.
Segundo estudo, a Holanda investe há décadas em diques para enfrentar o aumento do nível do mar. Em Veneza, projetos bilionários visam o mesmo objetivo. No Brasil, ainda há defasagem na implementação de estratégias de adaptação ao novo clima, aponta o pesquisador.
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