- Tecnologia LiDAR permite mapear a vegetação em três dimensões sem tocar nas árvores, incluindo áreas urbanas.
- Até então, a maior parte dos estudos de biomassa com LiDAR ocorreu em grandes florestas; florestas urbanas ficaram como ponto cego.
- Pesquisas no sul de Minas Gerais combinaram inventário de campo com sensoriamento remoto para criar equações que estimam biomassa e carbono estocado a partir da altura e da área da copa.
- Os modelos funcionam tanto para fragmentos de floresta tropical quanto para árvores isoladas em áreas urbanas, oferecendo estimativas equivalentes às de métodos que exigem medir cada árvore.
- Com esse mapeamento, é possível monitorar o estoque de carbono nas cidades, identificar bairros com déficit de arborização e planejar investimentos com impacto climático.
A tecnologia LiDAR permite mapear florestas sem tocar em nenhuma árvore. Um drone equipado com sensor laser sobrevoou o campus da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, gerando nuvens de pontos que descrevem edifícios, plantas e galhos com precisão centimétrica.
Essa abordagem tem acelerado a compreensão da biomassa, mas aponta para um ponto cego: as florestas urbanas. Enquanto pesquisas costumam focar grandes áreas, as árvores das praças, calçadas e quintais permanecem pouco mapeadas e precisam de metodologias específicas.
O estudo, realizado no sul de Minas, combinou inventário de campo e sensoriamento remoto para criar equações adaptadas a dois contextos: um fragmento de floresta tropical e uma área urbana com árvores isoladas. As equações utilizam altura total e área de copa obtidas pela nuvem de pontos.
Com esses modelos, é possível estimar biomassa e carbono estocado em cada árvore a partir de uma única passagem de drone sobre a cidade. Os resultados mostraram rendimento similar aos métodos tradicionais, porém com menos necessidade de medir árvore a árvore.
A integração entre o mapa urbano e as métricas fornece dados para identificar bairros com déficit de arborização e orientar investimentos que ampliem o respiro climático. Ao longo do tempo, permite monitorar o avanço da cobertura verde nas cidades.
A conclusão é que mapear as árvores que cercam a vida cotidiana traz ganhos práticos: ecossistemas urbanos mais funcionais, maior resiliência a eventos climáticos e melhor qualidade de microclima. A partir de agora, a ciência pode acompanhar o verde urbano com maior precisão.
Perspectivas e impactos
O trabalho demonstra que, com tecnologia já disponível, é viável medir centenas de árvores urbanas de forma consistente. A partir das mesmas técnicas, futuras pesquisas podem ampliar o monitoramento de carbono em cidades tropicais, onde a diversidade vegetal impõe desafios metodológicos.
A abordagem também facilita o planejamento urbano, ao oferecer dados para priorizar áreas onde o plantio e a manutenção de árvores geram maior retorno ambiental. A continuidade do monitoramento permitirá avaliar o efeito das políticas públicas ao longo do tempo.
A iniciativa é fruto de pesquisa no sul de Minas e envolve a combinação de dados de campo com sensores remotos. O objetivo é tornar as florestas urbanas visíveis, por meio de modelos que traduzem características da copa em estimativas de biomassa.
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