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Risco de acidentes graves triplica entre 2h e 4h da manhã, diz estudo

Risco de acidentes graves triplica entre 2h e 4h da manhã, impulsionado pela fadiga e pelo vale biológico, mesmo com tráfego reduzido

Fotografia de uma mulher dirigindo um carro à noite com luzes coloridas da cidade e tela de navegação iluminando o interior.
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  • Estudo brasileiro aponta que entre 2h e 4h da manhã o risco de acidente grave aumenta entre três e três vezes e meio em relação ao dia.
  • A pesquisa envolveu Instituto Mauá de Tecnologia, Universidade de São Paulo e Universidade de Swansea, analisando acidentes na rodovias federais de 2015 a 2017.
  • O aumento do risco está ligado à fadiga, aos lapsos de atenção (microssonos) e ao “vale biológico” da madrugada, quando a atenção e o tempo de reação ficam mais baixos.
  • O pico ocorre por volta das 4h; os pesquisadores destacam que, apesar do menor tráfego, o risco individual permanece elevado.
  • O estudo aponta ainda que grande parte do tráfego noturno envolve motoristas profissionais; sugerem ampliar áreas de descanso, fiscalizar jornadas de trabalho e investir em campanhas de orientação para dormir bem antes de viajar.

O risco de acidentes graves no trânsito aumenta significativamente entre as 2h e as 4h da madrugada, mesmo com menor volume de veículos nas rodovias. Estudo brasileiro aponta que a chance é de três a três vezes e meia maior nesse intervalo em comparação com o período diurno.

A pesquisa envolveu dados de acidentes em rodovias federais entre 2015 e 2017, conduzida pelo Instituto Mauá de Tecnologia, pela USP e pela University of Swansea, no Reino Unido. O estudo foi publicado no Brazilian Journal of Medical and Biological Research.

Entre as conclusões, o aumento do risco ocorre mesmo com menor tráfego noturno, por causa da queda natural de atenção e do cansaço acumulado. Os autores analisaram a relação entre acidentes e o fluxo de veículos por horário.

Os pesquisadores observaram que o risco começa a subir a partir das 2h, atinge o auge por volta das 4h, e diminui ao clarear. Outros picos menores aparecem por volta das 7h e às 18h, ligados a variações no fluxo de veículos.

Para entender o motivo, o estudo examinou capotamentos de veículos em trechos retos. Esse tipo de acidente é raro e, na maioria dos casos, envolve falhas humanas, como microssonhos causados por fadiga.

A cronobiologia é citada para explicar o phenomena: o vale biológico da madrugada reduz atenção, tempo de reação e tomada de decisão. Fadiga prolongada agrava esse efeito, mesmo com olhos abertos.

A pesquisadora Cláudia Moreno destaca que ficar longas horas sem dormir pode ter efeito semelhante ao do álcool, mas não há teste simples para medir a sonolência. O estudo associa principalmente sono, cansaço e descompasso com o relógio biológico.

O estudo também aponta que grande parte do tráfego noturno é formado por motoristas profissionais, como caminhoneiros, que costumam trabalhar com jornadas irregulares. A dificuldade de planejamento de sono aumenta a fadiga.

Mudanças na legislação foram consideradas como fator contributivo. A Lei do Descanso do Motorista, flexibilizada em 2015, pode intensificar a fadiga acumulada ao permitir períodos mais longos ao volante sem pausa.

Embora o álcool seja reconhecido como fator de risco em acidentes, a pesquisa indica que, no caso estudado, ele não é o principal responsável pelo aumento da mortalidade noturna. Sono e desorientação biológica explicam melhor o quadro.

A análise aponta que esse padrão ocorre também em países de renda elevada, que mostram padrões de gravidade semelhantes durante a madrugada. A pesquisa propõe medidas para mitigar o risco.

Entre as recomendações estão ampliar áreas de descanso nas rodovias, ampliar a fiscalização de jornadas de trabalho e promover campanhas de conscientização sobre dirigir com sono.

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