- Em agosto de 2023, um robô submarino avistou uma esfera dourada a mais de três mil metros de profundidade no Golfo do Alasca, durante expedição científica.
- Análises genéticas e morfológicas revelaram que a esfera não era ovo nem resíduo, mas a pele protetora de uma anêmona gigante chamada Relicanthus daphneae.
- A “pele dourada” funciona como uma base adesiva que a anêmona secreta para se fixar às rochas; a esfera pode ter sido deixada para trás durante migração ou reprodução.
- A confirmação foi possível via genômica, após superar obstáculos com DNA de microrganismos que cobriam a superfície.
- A descoberta evidencia que o oceano profundo guarda segredos e abre caminhos para entender a distribuição da espécie e possíveis aplicações em ciência marinha e biotecnologia; novas expedições estão previstas para 2026.
Uma esfera de aspecto dourado, encontrada no Golfo do Alasca, intrigou pesquisadores por quase três anos. O objeto foi visto em 2023 durante expedição de mapeamento do fundo oceânico, a mais de três quilômetros de profundidade, preso a uma rocha.
Análises subsequentes apontaram que não era uma esfera isolada, mas parte da pele protetora de uma anêmona gigante que vive nas profundezas. A descoberta foi confirmada por meio de estudos morfológicos e genéticos realizados no Smithsonian e na NOAA. Expedições futuras vão buscar entender melhor o animal por trás da peça.
O que foi encontrado
Em agosto de 2023, o robô submarino Deep Discoverer avistou um domo dourado de cerca de 10 cm preso a rocha no oceano profundo. A superfície lisa e um pequeno orifício geraram várias hipóteses entre cientistas sobre a natureza do objeto.
A amostra foi encaminhada ao Museu Nacional de História Natural do Smithsonian. Técnicas de sequenciamento genético revelaram que o material pertence a uma anêmona-do-mar gigante, com células urticantes característicos de cnidócitos.
A anêmona gigante Relicanthus daphneae
A espécie Relicanthus daphneae foi descrita em 2006. Vive entre 1.200 e 4.000 metros de profundidade, próximo a fontes hidrotermais. Seu corpo pode ter até 30 cm de diâmetro, e seus tentáculos podem alcançar mais de dois metros.
A identificação definitiva exigiu o sequenciamento completo do genoma mitocondrial. DNA de microrganismos da superfície mascarava o material da anêmona, exigindo técnicas de genômica mais avançadas para confirmar a relação com amostra coletada em 2021.
Importância científica e desdobramentos
A pesquisa foi publicada como preprint no bioRxiv, com metodologia de análise morfológica e genômica detalhada pela NOAA e pelo Smithsonian. A descoberta mostra que menos de 20% do fundo oceânico foi mapeado com detalhes, sugerindo que outras espécies podem estar mais distribuídas do que se imagina.
Alerga também que a vida em profundidades extremas pode gerar compostos com potencial farmacêutico. As equipes já planejam novas expedições no Pacífico Sul para 2026, buscando mapear a distribuição da Relicanthus daphneae.
Perspectivas futuras
Os cientistas investigam o destino da anêmona que deixou a esfera para trás. Questiona-se se o corpo morreu, deslocou-se ou se reproduziu por laceração pedal. Novas missões devem ampliar o conhecimento sobre a distribuição da espécie e sobre o ecossistema de profundidade.
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