- Um estudo aponta que o comércio mundial de pepinos-do-mar cresce desde 2013 e ameaça várias espécies.
- As captures globais passaram de cerca de 81.831 toneladas em 2013 para 123.278 toneladas em 2018; em 2019 ficou próximo disso, e 2020–2021 ficaram em torno de 97.000 toneladas.
- China continua sendo o principal importador por valor; Japão é o maior exportador por valor e Canadá figura entre os maiores exportadores.
- Pesquisadores pedem medidas de conservação nacionais e internacionais; algumas espécies já foram incluídas no Anexo II da Cites.
- Desafios incluem diferentes formas de comércio (congelado, fresco, seco) e dificuldades de monitorar tendências por espécie devido a classificações e fiscalização.
O comércio global de pepinos-do-mar está em expansão desde 2013 e tem provocado redução alarmante de populações de várias espécies. Estudo recente aponta impactos crescentes e clama por medidas mais firmes de conservação.
Os autores descrevem o comércio como “contagioso”, expandindo-se para novas regiões, com a continuidade do crescimento preocupando a sustentabilidade de pescarias específicas. A pesquisa reúne dados de 2013 a 2021 sobre captura e comércio.
Segundo o estudo, existem cerca de 1.800 espécies de pepinos-do-mar, pertencentes à classe Holothuroidea. Eles atuam na reciclagem de detritos no fundo do oceano e ajudam na fertilização de gramíneas marinhas e recifes de corais.
O trabalho utiliza dados da FAO de 2013 a 2021. Houve aumento global da captura de 81.831 t em 2013 para 123.278 t em 2018, caindo ligeiramente em 2019. Em 2020 e 2021, as cifras ficaram em torno de 97.000 t.
A China permanece central no fluxo comercial, pois pepinos-do-mar são usados na medicina tradicional chinesa e como iguaria. China e Hong Kong aparecem como principais importadores por valor, enquanto o Japão é o maior exportador por valor. Canadá figura entre os principais exportadores.
Perspectivas e impactos
Especialista externo, Steven Purcell, da Southern Cross University, considerou o estudo uma atualização relevante sobre captura e comércio. Ele ressaltou que as pescarias avançam para novas regiões conforme as antigas reduzem seus estoques.
Purcell indica que a parcela de espécies de maior valor tem sido substituída por variedades de menor preço, capturadas em maior quantidade, especialmente em águas profundas. Espécies rasas e tropicais tornaram-se mais difíceis de encontrar.
Entre as espécies de alto valor, o pepino-do-mar japonês Apostichopus japonicus está entre as mais exploradas e encontra-se sob risco de extinção. O mercado internacional mantém preços elevados, mesmo com produção em aquicultura em larga escala.
Conand e coautores defendem medidas de conservação nacionais e internacionais. O estudo cita a recente inclusão de algumas espécies na Lista de Anexo II da CITES como passo inicial para regulamentação de comércio cross-border.
Além disso, o desafio envolve classificação de espécies pelas autoridades aduaneiras, dificultando o monitoramento de tendências específicas de cada espécie. Fontes destacam a necessidade de códigos específicos da FAO para resolver a questão.
Entre na conversa da comunidade