- A Colossal Biosciences pretende ressuscitar o bluebuck, antílope africano extinto por volta de 1800, usando edição genética para criar indivíduos com características da espécie original.
- O projeto faz parte de uma carteira de desextinção que inclui mamute-lanoso, dodô e tigre-da-tasmânia, com a ideia de editar DNA de espécies próximas para produzir o fenótipo desejado.
- O CEO Ben Lamm afirma que, se humanos causaram a extinção, há “obrigação” de tentar corrigir o erro, e a empresa já estaria na fase de edição genética, com perspectiva de embriões e implantação em fêmeas de espécies próximas.
- Especialista Gabriel Canani Sampaio, do Projeto Albatroz, alerta que o impacto ecológico é incerto e depende do contexto; alterações em ecossistemas podem trazer riscos à variabilidade genética e à saúde de populações silvestres.
- Ele ressalta que os organismos criados em laboratório não são clones idênticos e que recursos investidos poderiam, em vez disso, favorecer a conservação de habitats naturais diante da crise de biodiversidade.
Uma empresa de biotecnologia dos EUA anunciou planos para tentar ressuscitar o bluebuck, antílope africano extinto no início do século XIX. O projeto envolve editar o DNA de espécies vivas próximas para criar indivíduos com características da espécie extinta. A iniciativa faz parte de uma carteira de desextinção.
Colossal Biosciences afirma estar na fase de edição genética, com metas de produzir embriões e testar a implantação em fêmeas de espécies relacionadas. A companhia sustenta que, se a extinção foi causada pela ação humana, a tecnologia pode representar uma forma de reparo ambiental.
Avaliação crítica de especialistas
Especialistas alertam para incertezas ecológicas e limitações científicas. O gerente de Pesquisa do Projeto Albatroz, movimento patrocinado pela Petrobras, aponta que o impacto depende do papel ecológico da espécie em ambientes específicos. Em muitos casos, a reconstituição de ecossistemas não é simples.
Segundo o pesquisador, os organismos criados em laboratório não equivalem exatamente aos originais, o que aumenta riscos para ecossistemas. A introdução de organismos geneticamente modificados pode afetar a variabilidade genética de populações selvagens. Há também dúvidas sobre a real eficácia para a conservação.
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