- Estudo com 1.492 jovens de 9 a 21 anos, em São Paulo e Porto Alegre, mostra consumo maior de álcool, tabaco, cannabis e cocaína entre jovens LGBTQIAPN+ em comparação com pares cisgêneros heterossexuais.
- O tabaco (48% vs 37%), a cannabis (40% vs 27%) e a cocaína (7,4% vs 3,6%) apresentam prevalências superiores no grupo LGBTQIAPN+, enquanto o álcool fica próximo (85,9% vs 83,7%).
- Crianças designadas como mulheres ao nascer iniciam consumo de tabaco, cannabis e cocaína mais cedo (entre 10 e 15 anos) do que mulheres heterossexuais (13 a 17 anos).
- Mulheres bissexuais apresentam as maiores taxas: álcool 77,9%, tabaco 26,3%, cannabis 56% e cocaína 9,2%.
- Os pesquisadores destacam influência de estigma e discriminação sobre esses comportamentos, defendendo políticas públicas e intervenções focadas na diversidade sexual e de gênero.
Uma pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina da USP, com parceria da UFRGS, avaliou 1.492 jovens de São Paulo e Porto Alegre para entender uso de substâncias entre LGBTQIAPN+. O estudo foi publicado em 17 de abril no International Review of Psychiatry.
A tese de Caio Petrus Monteiro Figueiredo analisou dados da Brazilian High Risk Cohort (BHRC), também chamada Conexão Mentes do Futuro. O projeto integra o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) e tem orientação do psiquiatra Arthur Caye.
Foram aplicados questionários sobre orientação sexual e identidade de gênero, com modelos estatísticos de regressão e análises de sobrevivência. Do total, 247 jovens se identificaram como LGBTQIAPN+.
Principais resultados
O consumo de tabaco chegou a 48% entre LGBTQIAPN+, ante 37% entre cis-heterossexuais. Cannabis foi utilizado por 40% vs 27%. Cocaína: 7,4% vs 3,6%. O consumo de álcool ficou próximo, 85,9% frente a 83,7%.
Mulheres designadas como femininas ao nascer iniciaram uso de tabaco, cannabis e cocaína mais cedo (10-15 anos) do que mulheres heterossexuais (13-17 anos). Entre as mulheres LGBTQIAPN+, as bissexuais apresentaram as maiores taxas: álcool 77,9%, cannabis 56%, cocaína 9,2%.
Os autores destacam que fatores sociais, como estigma e discriminação, influenciam esses comportamentos. A rejeição pode favorecer sofrimento psicológico e menor busca por serviços de saúde mental. A ciência, dizem, deve orientar políticas públicas.
Sobre o estudo e parcerias
O CISM é um centro apoiado pela Fapesp, com sede na USP. Integram a pesquisa Unifesp, Unicamp e instituições parceiras, incluindo a UFRGS. O artigo teve tradução para o português como Disparidades no uso de substâncias entre jovens brasileiros.
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