- Estudo de Harvard mostrou que IA superou médicos humanos em triagem de emergência, usando apenas dados de prontuário eletrônico.
- Na comparação com dois médicos, a IA atingiu diagnóstico exato ou quase exato em 67% dos 76 casos avaliados no pronto-socorro de um hospital de Boston, frente a 50%-55% dos médicos.
- A vantagem da IA foi mais evidente em situações de decisão rápida com informações limitadas; com mais detalhes, a IA atingiu 82% de acerto vs 70%-79% dos médicos, sem diferença estatisticamente significativa.
- Em planos de tratamento de longo prazo, a IA também se destacou, obtendo 89% de aproveitamento contra 34% dos médicos que usaram recursos convencionais.
- Os pesquisadores ressaltam que o estudo avaliou apenas sinais textuais do paciente; leitura de sinais como dor, expressão e contexto não foi testada, e a IA não substitui médicos.
Um estudo realizado em Harvard mostrou que sistemas de IA superaram médicos em triagem de emergência, em situações de alto risco. A pesquisa avaliou como a IA responde a dados clínicos padronizados de pacientes que chegam à sala de emergência. Os resultados foram publicados na revista Science.
Em um dos experimentos, 76 pacientes foram avaliados no pronto-socorro de um hospital de Boston. A IA e dois médicos humanos leram o mesmo prontuário eletrônico, com sinais vitais, dados demográficos e uma breve explicação de enfermeira. A IA identificou diagnóstico exato ou muito próximo em 67% dos casos, frente a 50-55% dos médicos.
A vantagem da IA ficou mais evidente em cenários de triagem com informações limitadas, onde a precisão do modelo de raciocínio da IA atingiu 82%, contra 70-79% dos médicos experientes. Em uma avaliação de planos de tratamento de longo prazo, a IA gerou propostas mais consistentes, obtendo 89% versus 34% dos médicos que usaram recursos tradicionais.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam limitações. A comparação ocorreu apenas com dados textuais dos prontuários; sinais indiretos, como aparência do paciente e nível de sofrimento, não foram considerados pela IA. Dessa forma, a IA atuou como uma segunda opinião com base na documentação disponível.
Limitações e perspectivas
Os autores ressaltam que a pesquisa não indica que a IA substitua médicos. O ganho observado é visto como sinal de uma mudança tecnológica que pode transformar a prática clínica. Em um cenário futuro, especialistas afirmam que a IA poderá atuar em modelos de cuidado triádico: médico, paciente e sistema de IA.
Especialistas acrescentam que ainda há dúvidas sobre responsabilidade, viabilidade em larga escala e uso seguro em clínica diária. Além disso, dados sobre desempenho da IA em pacientes com menos acesso à comunicação ou com comorbidades não foram totalmente explorados.
Entre na conversa da comunidade