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Combustível de canola pode reduzir emissões de aeronaves

Estudo aponta que SAF de canola pode reduzir emissões até 55%, mas limitações técnicas e regulatórias impedem substituição integral

O estudo analisa todas as etapas do processo, desde o cultivo da matéria-prima até o uso final do combustível no avião
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  • Estudo da Embrapa aponta que, em cenário otimista, o SAF de canola poderia reduzir até 55% as emissões frente ao querosene fóssil, mas esse é um potencial máximo ainda não viável na prática.
  • A mistura do SAF tipo Hefa com o Jet-A1 fica limitada a cerca de 50%, impedindo substituição integral do combustível de aviação no curto prazo.
  • Emissões no ciclo de vida são mais elevadas na fase agrícola (aproximadamente 34,2 g CO₂ eq./MJ), devido a fertilizantes e emissões de N₂O do solo; a etapa industrial com hidrogênio fóssil contribui com cerca de 12,8 g CO₂ eq./MJ.
  • A origem do hidrogênio é determinante: hidrogênio renovável pode reduzir entre 86% e 94% as emissões da etapa industrial, melhorando significativamente o desempenho ambiental do combustível.
  • No Brasil, canola é cultivada principalmente como segunda safra em rotação com soja, o que aproveita área já existente e pode favorecer a sustentabilidade; o estudo também destaca a necessidade de evoluções regulatórias e de produção para ampliar certificação e adoção.

O estudo conjunt o entre Embrapa, LEA e Embrapa Agroenergia analisa o potencial de redução de emissões do SAF feito a partir de canola, em comparação ao querosene fóssil. A pesquisa avalia toda a cadeia, do cultivo até a queima no avião, com base em dados reais de produtores brasileiros.

Em cenário otimista, a redução potencial de CO2eq pode chegar a 55%, mas esse número representa um potencial teórico ainda não viável na prática, devido a barreiras técnicas e regulatórias. A substituição integral do combustível é atualmente inviável.

O SAF analisado é o tipo Hefa, produzido a partir de óleos e gorduras, cuja mistura com o querosene convencional fica limitada a cerca de 50%. A pesquisa alerta para limites reais na expansão.

Panorama técnico

A leitura do estudo deve ser feita como estimativa de mitigação, não resultado garantido. Avanços tecnológicos, ampliação da produção de SAF e mudanças regulatórias são determinantes para mudanças efetivas no setor.

A produção de canola em rotação com soja, em condições tropicais, foi usada para modelar a rota Hefa. Foram considerados três cenários de energia: Jet-A1 fóssil, 50% SAF/50% Jet-A1 e 100% SAF.

Cadeia de produção e impactos

A etapa agrícola é a principal fonte de emissões no ciclo de vida, respondendo por cerca de 34,2 gCO2e/MJ, principalmente por fertilizantes e emissões de N2O do solo. A conversão industrial com hidrogênio fóssil gera cerca de 12,8 gCO2e/MJ.

O estudo aponta que a gestão de fertilizantes é crítica, sugerindo o uso de bioinsumos para reduzir impactos ambientais. Em termos de sustentabilidade, melhorias agrícolas são tão relevantes quanto avanços industriais.

Hidrogênio e descarbonização

Substituir o hidrogênio de origem fóssil por energia renovável reduz entre 86% e 94% as emissões na etapa industrial. Em cenários com hidrogênio de baixo carbono, as emissões totais do SAF podem ficar significativamente inferiores ao combustível fóssil.

Cenários brasileiros e políticas

A canola é cultivada majoritariamente como segunda safra no Brasil, em rotação com a soja, o que utiliza áreas já estabelecidas. Esse fator pode favorecer o desempenho ambiental do SAF nacional.

O estudo aponta que o Brasil tem vantagem na prática de rotação de culturas, o que melhora a eficiência de uso da terra. Não foram consideradas emissões de mudança indireta de uso da terra.

Regulação e certificação

A canola não está atualmente na rota Hefa do RenovaCalc, ferramenta de certificação de redução de carbono. A inclusão dessa matéria-prima poderia ampliar opções de certificação e refletir a diversidade agrícola do país.

O estudo também sugere ajustes metodológicos no RenovaCalc, especialmente quanto à intensidade do hidrogênio, às emissões agrícolas e à integração com energia renovável.

Contribuições e impactos adicionais

Além do carbono, o estudo enfatiza impactos sobre água, solo e ecossistemas. A análise recomenda melhoria na gestão de fertilizantes e melhores práticas agronômicas para ampliar os benefícios ambientais do SAF.

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