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O próximo avanço contra o Alzheimer exigirá mais do que ciência

Próximo avanço no Alzheimer depende de ciência, diagnóstico com biomarcadores e vontade política para ampliar acesso a tratamentos e serviços

Photograph: FERNANDO BRAZ
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  • O pesquisador John Hardy, da University College London, participou do WIRED Health e enfatizou que, além de drogas mais eficazes, é preciso melhorar o diagnóstico e ter vontade política para avançar no tratamento do Alzheimer.
  • Hardy explicou o papel da amiloide na doença e como depósitos formam placas no cérebro; drogas como Donanemab e Lecanemab podem remover essas placas já formadas.
  • O estudo de Lecanemab, divulgado em dois mil e vinte e dois, mostrou pela primeira vez desacelerar o declínio cognitivo, mas não curar a doença.
  • A previsão é que o Alzheimer leve oito ou nove anos para progredir; com Lecanemab, esse tempo pode aumentar para 11 ou 12 anos, ainda assim é preciso melhorar.
  • O diagnóstico melhorado por biomarcadores e dados genéticos é prioridade; no momento, tratamentos como Lecanemab estão disponíveis no Reino Unido apenas para pacientes privados, enquanto nos Estados Unidos há aprovação da FDA, com acesso via Medicare; Gantenerumab mostra promessa com doses maiores, destacando a necessidade de investimentos em serviços de demência.

At WIRED Health, em abril, o pesquisador de Alzheimer John Hardy apresentou os próximos passos para o tratamento da doença, ressaltando que é preciso combinar medicamentos mais eficazes com diagnóstico aprimorado e vontade política. O objetivo é melhorar o cuidado dos pacientes.

Hardy atua como presidente da área de Biologia Molecular de Doenços Neurológicos no University College London. Ele destacou o papel central da proteína amiloide na doença, identificando como depósitos formam placas ao redor de células cerebrais e podem alterar a função cerebral e provocar respostas inflamatórias.

O pesquisador lembrou que, no início, foi otimista sobre a rapidez de avanços, mas afirmou que, hoje, há avanços concretos. Pesquisas recentes deram origem a anticorpos que evitam novos depósitos de amiloide e, em alguns casos, removem o que já existe no cérebro.

Avanços terapêuticos e limitações

Os tratamentos recentes, como Donanemab e Lecanemab, conseguem remover depósitos de amiloide já formados. O resultado do ensaio clínico da Lecanemab, divulgado em 2022, mostrou desaceleração do declínio cognitivo, não a cura da doença.

Hardy explicou que, em termos de evolução, a doença costuma levar oito a nove anos, com a Lecanemab potencialmente estendendo esse período para cerca de 11 ou 12 anos. Ainda assim, o efeito é de atraso, não de solução definitiva, segundo o pesquisador.

Há debate sobre a centralidade do amiloide na doença. Parte da comunidade científica questiona a ênfase excessiva no alvo, mas hoje a maioria concorda que a proteína desempenha papel relevante, ainda que o peso desse papel varie entre estudos.

Para avançar, Hardy aponta a necessidade de compromisso científico e político, com foco em diagnóstico aprimorado, uso de biomarcadores e dados genéticos para identificar quem está em risco antes do surgimento dos sintomas.

Acesso, diagnóstico e investimentos

No Reino Unido, medicamentos como Lecanemab estão disponíveis apenas para pacientes privados, enquanto nos Estados Unidos a FDA já aprovou o uso pelo Medicare. Pesquisas em Gantenerumab mostraram resultados promissores com doses mais altas, abrindo caminho para novas estratégias de tratamento.

Segundo Hardy, melhorar o diagnóstico envolve investimento em serviços de demência, refletindo a realidade global. A identificação correta entre Alzheimer e demência em geral é essencial para direcionar tratamento adequado.

O pesquisador reforçou que ainda há trabalho a ser feito: desenvolver versões mais eficazes de medicamentos, ampliar o diagnóstico precoce e promover mudanças políticas para financiar serviços de demência.

Fonte: WIRED Health.

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