- Estudo acompanhou 500 crianças desde o nascimento até os 11 anos, da coorte Environage.
- Bebês com pressão arterial mais alta ao nascer apresentaram até 3,75 vezes mais chance de hipertensão na idade escolar.
- A pesquisa mostrou o fenômeno do “tracking”: a pressão tende a permanecer em faixas mais altas ao longo do crescimento.
- Foram identificados três padrões de evolução da pressão arterial: mantêm padrão estável em cerca de 80% dos casos, aumento acelerado em um grupo e redução em outra parcela.
- Fatores como IMC, peso ao nascer, idade gestacional e características maternas foram considerados, ressaltando que o estudo é observacional e destaca a importância de monitoramento precoce.
O estudo acompanhou 500 crianças desde o nascimento até os 11 anos para avaliar se a pressão arterial no nascimento influencia o risco de hipertensão na infância. Crianças com níveis mais altos ao nascer apresentaram risco significativamente maior de desenvolver hipertensão na idade escolar, em comparação com aquelas com valores normais.
Os pesquisadores acompanharam a pressão em três momentos: nos primeiros três dias de vida, entre 4 e 6 anos e entre 9 e 11 anos. O objetivo foi verificar a relação entre a pressão inicial e a trajetória ao longo do crescimento, com foco no que ficou conhecido como tracking.
A coorte Environmental Influence on Aging in Early Life (Environage) foi utilizada para o estudo, que resultou na publicação na edição de janeiro do JAMA Network Open. A pesquisa destaca padrões de evolução da pressão arterial ao longo do tempo e a possibilidade de trajetórias multifatoriais.
O que foi observado
Quase 80% das crianças apresentaram um padrão estável da pressão, mantendo níveis semelhantes aos observados ao nascer. Um grupo mostrou aumento acelerado, atingindo faixas mais altas, enquanto outro reduziu seus valores. Mesmo bebês com valores baixos inicialmente puderam ter elevações rápidas posteriormente.
Os autores ressaltam que fatores como IMC, peso ao nascer, idade gestacional e características maternas influenciam a trajetória da pressão. A conclusão é de que a pressão arterial na infância é multifatorial e pode acompanhar a criança ao longo do desenvolvimento.
Implicações clínicas e orientações
O cardiologista pediátrico Gustavo Foronda, do Einstein Hospital Israelita, afirma que o estudo é relevante por acompanhar crianças saudáveis desde o nascimento até a idade escolar. Pequenas variações precoces podem ter impacto ao longo dos anos, segundo o especialista.
Na prática, a classificação de pressão na infância depende de idade, sexo e altura, conforme diretrizes da American Academy of Pediatrics, com aferições padronizadas e repetidas. A medição ao nascimento não é rotina, mas o monitoramento precoce pode ser útil em alguns casos.
Considerações adicionais
O estudo é observacional e não avaliou intervenções. A hipertensão é um fator de risco modificável, e mudanças de estilo de vida — como controle de peso, alimentação equilibrada e prática de atividade física — podem influenciar a trajetória pressórica ao longo do tempo, segundo os pesquisadores.
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