- Pás de turbinas eólicas têm vida útil de 20 a 30 anos e, ao final, viram resíduos, muitas vezes enviados a aterros, incinerados ou descartados.
- Essas pás, que chegam a 80 a 120 metros, ocupam grande volume e são feitas de fibra de vidro com resina poliéster, material não biodegradável e de reciclagem complexa.
- O projeto ReciclAr propõe separar a fibra de vidro da resina para que ambos possam ser reutilizados, evitando descarte e reduzindo impactos ambientais.
- Em testes, amostras de fibra reforçada com resina foram submetidas a várias temperaturas; a resina é removida sem danificar a fibra, que pode ser reaproveitada, enquanto a resina se transforma em compostos gasosos para uso industrial.
- O projeto, desenvolvido no Colégio Dante Alighieri com parcerias, venceu a FEBRACE na área de engenharia e tem credenciamento para a GENIUS Olympiad, nos Estados Unidos, em junho.
O problema da reciclagem das pás das turbinas eólicas ganha visibilidade à medida que a vida útil das estruturas se encerra. Pás de fibra de vidro com resina poliéster viram resíduos de difícil descarte, ocupando aterros ou sendo incineradas, gerando impactos ambientais.
A produção atual de energia eólica, com pás que podem chegar a 80 a 120 metros, aumenta a necessidade de soluções. Os resíduos são compostos por materiais não biodegradáveis, o que eleva o desafio de reaproveitamento e eleva custos de descarte.
ReciclAr: a solução em estudo
A equipe envolvida concebeu o projeto ReciclAr para separar fibra de vidro da resina, viabilizando o reaproveitamento de cada componente. O objetivo é reduzir o descarte e ampliar a sustentabilidade do setor.
Desenvolvimento e parcerias marcaram a trajetória. O estudo foi realizado no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, sob orientação da professora Juliana de Carvalho Izidoro e coorientação da professora Cristiane Rodrigues Caetano Tavolaro, dentro do Programa Cientista Aprendiz.
Entre os colaboradores, destacam-se o Prof. Dr. Guilherme Lebrão e a Profa. Dra. Viviane Tavares, do Instituto Mauá de Tecnologia. Amostras de fibra de vidro reforçada com resina poliéster foram submetidas a diferentes temperaturas para separar os componentes.
Análises com Microscopia Eletrônica de Varredura e Difração de Raios X mostraram o intervalo de temperatura capaz de remover a resina da fibra sem danificar o material. A fibra pode ser reutilizada em telhas, painéis, tubos industriais e componentes automotivos.
Segundo os pesquisadores, a reciclagem térmica aparece como alternativa viável do ponto de vista técnico e econômico. A resinagem resultante pode ser utilizada como gás ou matéria-prima em processos industriais, como gaseificação.
O ReciclAr já rendeu reconhecimento. O projeto conquistou o primeiro lugar em Engenharia na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e foi credenciado para a GENIUS Olympiad, que ocorre nos EUA em junho, com participação internacional.
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