- Em 2021, pesquisadores russos recuperaram à vida um rotífero após 24 mil anos congelado no permafrost da Sibéria.
- Rotíferos são microrganismos aquáticos extremamente resistentes a desidratação, congelamento, inanição e baixa oxigenação.
- O estudo sobre esse exemplar sugere que eles teriam mecanismos de proteção celular para evitar danos com o congelamento.
- Além disso, estudos recentes indicam que rotíferos podem incorporar genes de bactérias para proteção contra infecções, funcionando como um antibiótico natural.
- Os rotíferos também reproduzem-se por partenogênese, ou seja, geram clones a partir de óvulos não fertilizados, acelerando a formação de novas gerações.
- Algumas pesquisas relatam que rotíferos podem digerir microplásticos, o que pode agravar a poluição nos ambientes aquáticos.
Um rotífero, organismo microscópico, voltou à vida após 24 mil anos congelado no permafrost da Sibéria. A descoberta foi feita em 2021 por pesquisadores do Laboratório de Criologia do Solo, ligado ao Instituto de Problemas Físico-Químicos e Biológicos em Ciência do Solo, em Pushchino, na Rússia. O achado chamou atenção pela longevidade dos seres vivos sob congelamento extremo.
Os rotíferos são seres aquáticos muito pequenos, quase invisíveis a olho nu. Eles resistem à dessecação, ao congelamento, à falta de oxigênio e à inanição, sobrevivendo por longos períodos em ambientes adversos. A pesquisa publicada na Current Biology investiga como esses organismos suportam a formação de cristais de gelo durante o congelamento gradual.
Entre as habilidades atribuídas aos rotíferos estão a reprodução por partenogênese, em que fêmeas geram clones sem fertilização. O estudo aponta que esse mecanismo favorece rápidas populações, especialmente em condições estáveis do ambiente. Além disso, recentes pesquisas sugerem que rotíferos podem incorporar genes de bactérias para se proteger de infecções, gerando um antibiótico natural.
Outra linha de estudo revela que algumas populações de rotíferos podem ingerir microplásticos presentes na água, tanto doce quanto salgada. A fragmentação de plásticos por esses microrganismos pode gerar nanoplásticos, o que levanta preocupações sobre o papel deles na cadeia alimentar e na poluição ambiental.
Especialistas destacam que, apesar do caso de 24 mil anos no permafrost ser excepcional, as capacidades dos rotíferos os tornam objeto de interesse para pesquisas sobre criopreservação de células humanas e estratégias de proteção celular em condições extremas. Esses achados ampliam o entendimento sobre microrganismos e seus impactos ecológicos.
Fonte: estudos publicados em Current Biology, Nature Communications e reportagens sobre criologia e poluição plástica. As informações não incluem opiniões, apenas dados científicos e descrições dos experimentos e resultados.
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