- Um estudo publicado na Lancet eBioMedicine sugere que o “hangry” depende da percepção de fome, não apenas da queda de glicose.
- A pesquisa mostra que a glicose influencia as emoções indiretamente, com o sentimento de fome atuando como mediador. Sem perceber que está com fome, a queda de glicose tem pouco impacto no humor.
- A interocepção, a capacidade de o cérebro sentir sinais do corpo, está associada a menos oscilações emocionais em quem tem maior precisão nesse sensing.
- Pessoas com IMC mais alto tendem a ter menor precisão interoceptiva, o que pode dificultar identificar fome; fatores hormonais também influenciam o humor durante o ciclo.
- Para evitar irritabilidade, recomenda-se manter a glicemia estável: combinar carboidratos com proteína/fibra/gordura de qualidade, reconhecer sinais difusos de fome e usar diário alimentar com atenção plena durante as refeições.
Ao que tudo indica, a irritação associada a estar com o estômago vazio tem explicação biológica, mas é mais complexa do que apenas queda de glicose. Estudo publicado na Lancet eBioMedicine aponta que a percepção de fome é o principal mediador do humor.
A pesquisa observacional analisou adultos saudáveis para entender se o humor é influenciado pela glicose ou pela percepção de fome. Os resultados indicam que a glicose afeta as emoções de forma indireta, via sensação de fome.
Com base nos dados, a consciência de estar com fome tem papel central. Quando não identificamos esse estado, a queda de glicose tende a não alterar tanto o humor. A explicação envolve interocepção, ou seja, sinais internos do corpo.
Consciência corporal
A interocepção emerge como conceito-chave da saúde mental. Pessoas com maior sensibilidade a sinais internos apresentam menor oscilação emocional, sugerindo controle emocional associado à percepção corporal.
Essa leitura do corpo pode evitar atribuições erradas de mal-estar a fatores externos, reduzindo conflitos e angústias desnecessárias. O estudo reforça que fome é experiência cerebral integrada a vários sinais.
Especialistas destacam que a fome não é apenas um número na glicemia. Ela envolve percepção, contextos fisiológicos e sinais neurais combinados, o que influencia o humor de forma concreta.
Quem tem maior precisão interoceptiva tende a reagir com mais equilíbrio emocional, segundo a pesquisa, que ainda requer confirmação em grupos maiores e em pacientes com obesidade ou transtornos alimentares.
A obesidade, por exemplo, pode reduzir a capacidade de perceber fome com clareza, dificultando a regulação emocional. O excesso de gordura visceral também interfere nos circuitos de saciedade.
Controle sua fome
Para evitar irritação associada à fome, o estudo recomenda manter a glicemia estável. Entre as estratégias destacadas estão combinar carboidratos com proteína, fibra e gorduras boas para evitar picos de açúcar.
Proteínas têm grande poder de saciedade e ajudam a evitar episódios de fome repentina. Em rotinas intensas, shakes proteicos podem ser úteis para manter a energia.
Sinais de fome nem sempre vêm do estômago. Cansaço, dificuldade de concentração e irritação sem causa podem indicar queda de energia, permitindo intervenção antes do ronco do estômago.
A prática de manter diários alimentares e adotar atenção plena durante as refeições também auxilia o corpo a interpretar melhor os sinais metabólicos, fortalecendo a regulação emocional.
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