- Localizada em Los Llanos, leste da Colômbia, a área de oitenta quilômetros quadrados abriga a comunidade autossustentável de Gaviotas, criada na década de sessenta e formalizada em mil novecentos setenta e um por Paolo Lugari, com cerca de vinte moradores.
- A vila desenvolveu soluções de baixo custo inspiradas em tradições locais, como aquecedores solares, uma gangorra que funciona como bomba d’água e uma floresta comestível, apoiada por conhecimento de comunidades Guahibo.
- As invenções ganharam mundo: mais de cinco mil turbinas eólicas na região e cerca de doze mil bombas d’água foram instaladas em outros lugares; parte da água engarrafada da comunidade chegou a Bogotá e a outros países.
- Hoje, aproximadamente cinquenta famílias vivem em Gaviotas, com educação integrada na vila, trabalhadores vindos de comunidades indígenas próximas e uma filosofia de inovação sem patentes para facilitar replicação.
- O debate atual questiona como manter a sustentabilidade diante de mudanças rápidas e se a experiência de Gaviotas pode ou deve ser replicada, com Lugari cogitando a sucessão da liderança.
Em meio às planícies remotas de Los Llanos, no leste da Colômbia, surge Gaviotas, uma comunidade que funciona com base em tecnologias de baixo custo e soluções locais. Criada há mais de meio século, a vila aposta na autossuficiência para enfrentar um ambiente hostil.
A ideia nasceu em 1966, quando Paolo Lugari sonhou com um assentamento verde na região. Em 1971, um grupo de cerca de 20 pessoas iniciou a comunidade, que ganhou o nome Gaviotas, em homenagem às gaivotas que sobrevoavam o local.
A proposta envolveu parceria com cientistas, engenheiros e comunidades indígenas, além de trabalhadores locais. A vida em Los Llanos exigia adaptação constante às chuvas intensas, ao calor e a conflitos armados da região.
Gaviotas desenvolveu soluções como aquecedores solares, bombas d’água acionadas por gangorras, turbinas eólicas leves e moradias com telhados de palmeira. Muitas invenções nasceram da sabedoria local dos Guahibo e de experimentação local.
Modelo de vida e legado
Com o tempo, as invenções de Gaviotas encontraram uso fora da vila. Mais de 5 mil turbinas eólicas foram instaladas na região, e 12 mil bombas d’água foram replicadas em outras áreas. Um aquecedor solar esférico ganhou uso em projetos habitacionais de Bogotá e em 30 mil unidades no exterior.
A ideia de compartilhar tecnologias sem proteção de patentes favoreceu a disseminação e a adaptação — o que Lugari define como chave para a replicação. Além disso, a floresta comestível, com pinheiros que geram sombra e novas culturas, tornou-se base de alimentação local.
Atualmente, Gaviotas mantém cerca de 50 famílias e mantém atividades em áreas como silvicultura, agricultura, energias renováveis e biocombustíveis. O vilarejo permanece como exemplo de inovação ambiental enraizada na região.
Desafios e transformações
Com o passar dos anos, a comunidade passou por mudanças: a escola própria cedeu espaço para escolas dos vilarejos vizinhos, e o hospital enfrentou dificuldades de atendimento. A vida comunitária mudou, mantendo o espírito de experimentação.
A visão de replicação envolve ficar atento aos contextos locais. Especialistas destacam que, para ampliar o modelo, é preciso documentação detalhada e adaptação às condições de cada região, sem perder a essência de autonomia e cooperação.
A memória de Gaviotas persiste em quem viveu lá. Para alguns, o legado está nos valores de cooperação, aprendizado contínuo e respeito ao entorno, que se estendem mesmo entre quem deixou a vila.
Entre na conversa da comunidade