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Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades

Milton Santos, centenário, inspira estudos sobre desigualdades urbanas; a teoria dos circuitos é aplicada a periferias brasileiras e a cidades globais

Milton Santos, 100 anos: geógrafo negro teorizou sobre desigualdades
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  • Em comemoração aos 100 anos de Milton Santos, o geógrafo negro é referência para entender desigualdades urbanas no Brasil e no mundo.
  • A teoria dos circuitos urbanos divide a economia da cidade em superior (grandes empresas, alta tecnologia) e inferior (pequenos comércios), destacando como o consumo se concentra e se desdobra entre os espaços.
  • Em São Luís, Maranhão, estudada por Livia Cangiano, a diferença entre supermercados e mercadinhos evidencia exclusão e adaptações de comunidades de baixa renda.
  • Pesquisas internacionais, em Gana, Londres e Paris, aplicam as ideias de Milton Santos para analisar dinâmicas urbanas e desigualdades em diferentes contextos.
  • Eventos no Brasil celebram o legado de Milton Santos, com atividades híbridas entre 4 e 8 de maio na USP e outras programações pelo país.

Milton Santos completa 100 anos neste 3 de maio, data que celebra o geógrafo brasileiro e sua influência global. No Brasil e no exterior, suas ideias seguem como referência para compreender urbanismo, economia e desigualdade.

Pesquisadores revisitam seus conceitos para entender dinâmicas urbanas atuais. Em São Luís, Maranhão, mercadinhos populares substituem redes de grande porte em áreas de menor renda, revelando forças de exclusão e acesso a recursos básicos.

A professora Livia Cangiano, da USP, aplica a teoria dos circuitos urbanos de Santos a estudos locais e internacionais, ampliando o debate sobre como o espaço é moldado por decisões políticas e econômicas.

Biografia

Milton Santos nasceu em 3 de maio de 1926, na Bahia, e se tornou referência na geografia mundial. Formou-se na UFBA e fez doutorado na Universidade de Strasbourg, na França. Exilou-se durante a ditadura e lecionou na Europa, África e América Latina.

No Brasil, atuou na UFRJ e na USP. Sua produção associou economia, política e sociedade para entender as desigualdades espaciais e suas raízes históricas. O trabalho dele inspirou outros geógrafos negros, como Catia Antonia da Silva.

Desigualdades e teoria

Entre as contribuições está a ideia de dois circuitos urbanos: o superior, com grandes corporações e alta tecnologia, e o inferior, composto por pequenos comerciantes. A partir disso, o espaço é visto como resultado de decisões de poder.

A leitura de Santos aponta que infraestrutura e serviços variam conforme o território, refletindo escolhas que privilegiam certos grupos. Desigualdades aparecem tanto no saneamento quanto no acesso à internet e ao transporte.

Aplicações contemporâneas

A pesquisa contemporânea aplica as ideias de Santos a cidades como Gana, Londres e Paris, mantendo a relevância de seus diagnósticos. Grandes investimentos podem remodelar mercados locais e ampliar desigualdades regionais.

A obra Por uma outra globalização discute como portos e corredores logísticos conectam mercados globais, mas também pressionam comunidades locais. O conceito do meio técnico-científico-informacional transforma regiões conectadas e outras marginalizadas.

Futuros possíveis

Milton Santos apontou caminhos para transformar redes e tecnologias em vantagens para comunidades. Iniciativas comunitárias e usos de tecnologia em periferias podem gerar novas formas de organização econômica e social.

Lívia ressalta que a obra dele encoraja o diálogo com populações locais e a busca por racionalidades de existência próprias, sem resignação diante das desigualdades.

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