- A Anvisa autorizou a fabricação no Brasil da vacina contra chikungunya do Instituto Butantan, desenvolvida com a farmacêutica Valneva, abrindo caminho para incorporação ao SUS.
- A vacina é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos e é contraindicada para gestantes, imunodeprimidos e imunossuprimidos.
- O Ministério da Saúde encaminhou à Conitec o pedido de inclusão no SUS; se aprovada, a vacina deve constar no Programa Nacional de Imunizações para adultos a partir dos 18 anos.
- Um projeto-piloto já ocorre em dez municípios de quatro estados, com Mirassol (interior de São Paulo) iniciando a vacinação; cerca de 23 mil pessoas já receberam a dose.
- Em 2025, o Brasil teve mais de 127 mil casos da doença; estudo publicado na Lancet mostrou eficácia de 98,9% após dose única e proteção por pelo menos seis meses, com efeitos adversos leves.
A Anvisa autorizou nesta segunda-feira a fabricação no Brasil da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a Valneva. A decisão facilita a incorporação do imunizante ao SUS, após o registro ocorrer em abril de 2025, ainda com produção limitada à Europa.
O imunizante manteve os padrões de qualidade, segurança e eficácia já conhecidos. Por ser produzido por uma instituição pública, o Butantan poderá oferecer o produto a menor custo, ampliando o potencial de inclusão no sistema público de saúde. A vacina é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos e é contraindicada para gestantes, imunodeficientes e imunossupromidos.
O Ministério da Saúde já encaminhou à Conitec o pedido de inclusão no SUS. Caso aprovada, a vacinação passará a fazer parte do PNI para adultos a partir de 18 anos. Um projeto-piloto já ocorre em dez municípios de quatro estados, com Mirassol (SP) iniciando as ações em fevereiro, e atuação em Minas Gerais, Sergipe e Ceará. Cerca de 23 mil pessoas já receberam a dose.
A eficácia do imunizante foi publicada na The Lancet em 2023. Em teste com dose única, 98,9% dos participantes geraram anticorpos neutralizantes, com proteção estável por pelo menos seis meses. Entre os efeitos adversos, destacam-se dor de cabeça, fadiga e febre, geralmente leves.
A chikungunya é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito que dissemina a dengue. O vírus chegou ao Brasil em 2014 e hoje está presente em todos os estados. Em março, um surto na maior reserva indígena urbana do país, em Dourados (MS), resultou em cinco mortes e fechamento de escolas.
No cenário internacional, a Organização Pan-Americana da Saúde aponta mais de 620 mil casos da doença em 2025. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou mais de 127 mil casos e 125 mortes neste ano. A doença pode evoluir para fases agudas, pós-aguda e crônica, com a última causando dores articulares prolongadas.
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