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Cientista que liderou vacina brasileira contra dengue enfrenta preconceitos de gênero

Mesmo enfrentando preconceitos de gênero, Neuza Frazatti liderou a vacina brasileira da dengue em dose única, aprovada pela Anvisa em 2025 e com mais de um milhão de doses entregues

Neuza trabalha no Butantan desde 1978
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  • Neuza Frazatti, 76 anos, liderou a vacina brasileira contra a dengue com dose única, aprovada pela Anvisa em 2025 para pessoas entre 12 e 59 anos e integrada ao sistema público com mais de um milhão de doses entregues.
  • Sua trajetória no Instituto Butantan incluiu quase cinco décadas e uma mudança de foco: da produção de vacinas em animais para métodos baseados em culturas celulares, sem uso de modelos animais.
  • O caminho começou nos anos de oitenta, com resistência de colegas por ser mulher e por propor inovação; a mudança veio com o apoio do diretor Isaias Raw, abrindo o laboratório de desenvolvimento de vacinas em 1995.
  • A dengue apresentou desafio único: a vacina precisa cobrir quatro sorotipos. Após mais de duzentos experimentos e cinquenta formulações, surgiu o imunizante de dose única.
  • A eficácia contra formas graves chegou a oitenta e cinco por cento em estudo publicado na Nature Medicine; há planos para desenvolver vacina de zika e continuar formando novos profissionais.

Neuza Frazatti, pesquisadora brasileira, liderou o desenvolvimento da vacina da dengue com dose única no Brasil. O projeto foi conduzido no Instituto Butantan, com participação de uma equipe de 22 profissionais. A Anvisa aprovou o imunizante em 2025, para pessoas de 12 a 59 anos, integrando o sistema público de saúde.

A trajetória de Frazatti começou em Birigui, interior de São Paulo, e ganhou destaque após ingressar no Butantan em 1978 como estagiária. Ela atuou na área de células, buscando alternativas aos modelos animais para a produção de vacinas, uma linha de pesquisa que marcou geração e tema de inovação no instituto.

A primazia do método sem uso de animais surgiu em meio a resistência de setores da instituição, que viam a mudança como disruptiva. Em vez de desistir, a pesquisadora aguardou apoio, recebendo backing do médico Isaias Raw, então diretor do Butantan, que abriu o laboratório para os trabalhos.

O salto para a dengue ocorreu a partir de 2009. A equipe enfrentou o desafio de proteção contra os quatro sorotipos do vírus, algo decisivo para a eficácia da vacina. Ao longo de mais de 270 experimentos, foram necessárias 50 formulações para alcançar o equilíbrio entre os sorotipos nas células.

O resultado foi a Butantan-DV, imunizante com dose única, aprovado pela Anvisa em 2025. Estudos publicados indicaram eficácia de até 80,5% contra formas graves da dengue, com ausência de internações no grupo vacinado e incremento de proteção.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o período entre janeiro e 11 de abril deste ano registrou cerca de 227,5 mil casos prováveis de dengue. A vacina, ao ampliar a cobertura, pode impactar significativamente a redução de casos e óbitos.

Mesmo aos 76 anos, Frazatti segue à frente de pesquisas. Atualmente coordena um time voltado ao desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika e mantém o foco na formação de novos profissionais na biotecnologia.

A pesquisadora destaca avanços para mulheres na ciência, mas reconhece barreiras históricas. Em mais de 120 anos do Butantan, poucas diretorias foram ocupadas por mulheres, o que reforça a necessidade de abertura de oportunidades e mentoria.

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