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Cientistas determinam idade de tubarões com uso de lasers

Nova técnica com lasers e isótopos estima a idade de tubarões a partir das vértebras, fortalecendo estratégias de conservação

Estima-se que restem menos de 2.500 tubarões-dente-de-lança adultos na natureza. Novo estudo estimou a idade de uma população dessa espécie usando lasers — Foto: Bill Harrison/ Wikipedia
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  • Pesquisadores da Universidade de Melbourne e parceiros desenvolveram uma técnica que usa lasers e análise geoquímica para estimar a idade de tubarões pela composição de suas vértebras.
  • O método recorre a microfluorescência de raios X (micro-XRF) e espectrometria de massa com ablação a laser (LA-MC-ICP-MS) para ler “impressões” ambientais registradas nos ossos ao longo da vida.
  • A abordagem identifica mudanças químicas, como variações de estrôncio, que refletem o ambiente que o tubarão percorreu, permitindo estimar idade e reconstruir a trajetória ambiental.
  • A pesquisa foi aplicada à espécie tubarão-dente-de-lança (Glyphis glyphis), com estimativas de menos de dois mil e quinhentos adultos na natureza.
  • A técnica oferece dados mais confiáveis para entender reprodução e crescimento, fortalecendo estratégias de conservação de tubarões ameaçados e abrindo caminho para uso em paleo-ambiente e avaliação de impactos de poluição.

O estudo, publicado na Marine Ecology Progress Series, apresenta uma técnica para estimar a idade de tubarões com base na composição química de suas vértebras. Pesquisadores da Universidade de Melbourne e de instituições da Oceania desenvolveram o método, que usa lasers e análise de isótopos para decifrar registros ambientais ao longo da vida do animal. O objetivo é aprimorar estratégias de conservação.

A abordagem envolve microfluorescência de raios X e espectrometria de massa com ablação a laser. Elementos como cálcio, potássio e estrôncio ficam gravados nas vértebras conforme o tubarão se move entre rios, estuários e oceano. Esses dados funcionam como uma impressão ambiental ao longo do tempo.

Os pesquisadores não apenas estimam a idade, mas também traçam a trajetória ambiental do animal. Ao cruzar dados geoquímicos com registros de precipitação e solo das regiões habitadas, é possível mapear ciclos sazonais e deslocamentos dos tubarões.

No caso do tubarão-dente-de-lança Glyphis glyphis, estima-se que haja menos de 2.500 adultos na natureza. A espécie vive em rios do norte da Austrália e da Papua-Nova Guiné, e está entre as mais ameaçadas.

Nova técnica e evidências

A leitura química das vértebras revela que as marcas não correspondem necessariamente a ciclos anuais. Essa constatação desafia a prática tradicional baseada em anéis de crescimento visíveis, que eram interpretados como anos de vida.

A técnica permite estimar idade com maior confiabilidade e, ao mesmo tempo, reconstruir a história ambiental do tubarão. Assim, é possível entender padrões de reprodução, crescimento e sobrevivência com maior precisão.

Implicações para a conservação

Conhecer a idade com mais precisão sustenta políticas de proteção mais eficaz. Dados robustos ajudam a calibrar populações, ciclos de reprodução e impactos de pressões humanas sobre tubarões ameaçados.

Além da conservação, a abordagem pode ser aplicada à reconstrução de ambientes aquáticos do passado. Também facilita a avaliação de impactos de poluição em ecossistemas marinhos e de água doce.

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