- Estudo piloto avaliou ibogaína, substância extraída da Tabernanthe iboga, em nove adultos com transtorno por uso de álcool, em hospitais da USP em Ribeirão Preto.
- As doses variaram de 20 a 400 miligramas, administradas em internação com monitoramento contínuo; houve redução do consumo de álcool, principalmente nas doses mais altas.
- Dois voluntários ficaram abstinentes de álcool e outras drogas ao longo de três meses de acompanhamento; em outros participantes houve diminuição do consumo, de forma geral.
- Observou-se efeito colateral de leve a moderado, incluindo alterações cardiovasculares, ansiedade e náusea; pesquisadores ressaltam necessidade de monitoramento contínuo e de mais dados sobre segurança e dosagem.
- Resultados são preliminares e não comprovam eficácia; diante dos riscos cardiovasculares, são necessários estudos maiores para avaliar segurança e benefício da ibogaína no transtorno por uso de álcool.
O estudo piloto avaliou o uso de ibogaína, substância psicoativa extraída de uma planta da África Central, no tratamento do transtorno por uso de álcool (TUA). Nove voluntários, com diagnóstico de alcoolismo grave, foram acompanhados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP, entre 2024 e 2025.
A pesquisa investigou segurança, tolerabilidade e eficácia de doses únicas da ibogaína, administradas com internação clínica sob monitoramento contínuo. As doses variaram de 20 a 400 mg, com desfechos relacionados à ingestão de álcool e cocaína ao longo de três meses.
Resultados apontaram redução do consumo em todos os grupos, com maior efeito nas doses mais altas. Dois voluntários ficaram abstinentes de álcool durante o follow-up. Entre efeitos adversos, houve alterações cardiovasculares, ansiedade e náusea.
Contexto e limites da pesquisa
A equipe destaca que os achados são preliminares e não comprovam eficácia amplamente. A ibogaína apresenta riscos cardiovasculares relevantes, exigindo monitoramento rigoroso e avaliação de dosagem adequada.
Sobre o cenário regulatório
A ibogaína não é autorizada no Brasil. A substância é importada para estudos após aprovação ética e análise da Anvisa, ainda que sua comercialização siga proibida em muitos contextos.
O que vem a seguir
Pesquisas futuras devem envolver amostra maior e desenho metodológico mais robusto para confirmar segurança, eficácia e dosagem ótima, reduzindo riscos para pacientes com TUA.
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