- Estima-se que cinco a dez por cento dos infartos ocorrem sem obstruções relevantes nas artérias, chamados MINOCA (infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstrutivas).
- Em MINOCA, o problema pode ser espasmo coronariano, doença microvascular, dissecção espontânea da artéria, formação de pequenos trombos ou instabilidade de placas não significativas.
- O infarto com coronárias não obstrutivas é mais comum em mulheres, especialmente em idades mais jovens ou na transição para a menopausa, e ainda costuma ficar subdiagnosticado.
- A angiografia continua essencial, mas podem ser necessários exames adicionais, como ressonância magnética cardíaca e avaliação da microcirculação, para identificar a causa específica.
- Identificar o mecanismo é fundamental para definir o tratamento, pois diferentes causas exigem abordagens distintas, e o prognóstico pode não ser tão benigno quanto se acreditava.
O infarto com coronárias não obstrutivas, conhecido como MINOCA, ganha espaço na cardiologia ao mostrar que pacientes podem sofrer falta de fluxo sanguíneo mesmo sem artérias obstruídas. Estima-se que 5% a 10% dos infartos ocorram nesses casos, principalmente entre mulheres. A leitura diagnóstica passa a exigir avaliação além da angiografia convencional.
Tradicionalmente, o infarto era explicado pela presença de placas que bloqueiam as coronárias. Hoje, o cenário envolve alterações funcionais ou estruturais sutis da circulação cardíaca, como espasmo, doença microvascular ou dissecção arterial, que provocam isquemia ou necrose do músculo cardíaco.
A novidade impacta a prática clínica, pois a angiografia continua importante, mas nem sempre é suficiente para elucidar a causa. Exames adicionais, como ressonância cardíaca e avaliações da microcirculação, passam a integrar o diagnóstico, orientando tratamentos mais específicos.
MINOCA: definição e causas
Em casos de MINOCA, a lesão não decorre apenas de placas obstrutivas. Entre as possibilidades estão espasmo coronariano, disfunção ou lesão da microcirculação, dissecção espontânea e formação de pequenos trombos. Esses mecanismos podem causar isquemia com preservação de grandes artérias.
Prevalência e impacto entre as mulheres
A condição é mais frequente em mulheres, especialmente em faixas etárias de transição para a menopausa. Ainda há subdiagnóstico, pois quadros sem obstrução podem ser interpretados como menos graves, atrasando o tratamento adequado.
Implicações clínicas atuais
A identificação correta de MINOCA é crucial, pois o manejo varia conforme o mecanismo. Espasmo requer terapias diferentes da dissecção ou da microvascular, por exemplo. A abordagem multidisciplinar tem ganhado espaço na prática hospitalar.
Perfil do especialista
Prof. Dr. Carlos Alberto Pastore, médico cardiologista com formação pela USP, está entre os profissionais que destacam a importância desse novo raciocínio clínico. A atualização na cardiologia envolve ferramentas de imagem e avaliação funcional para entender o evento cardíaco sem obstrução evidente.
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