- Belo Monte, inaugurada em 5 de maio de 2016, opera conforme o regime do rio Xingu, gerando mais no primeiro semestre e menos no segundo; na seca de 2024 houve forte redução de geração.
- A usina desviou parte do fluxo para as turbinas, criando a Volta Grande do Xingu, área habitada por povos indígenas e ribeirinhos.
- A água liberada é insuficiente para manter a piracema e a vida no rio, levando a queda de peixes e impactos na alimentação e renda das comunidades.
- 322 famílias ainda buscam retornar às margens originais, após reassentamento em Altamira; há disputas sobre projetos de mitigação e terras.
- A revisão do hidrograma e as regras de operação estão em debate judicial; o Ministério Público aponta danos socioambientais, enquanto a Norte Energia afirma cumprir a outorga.
A Belo Monte, inaugurada em 5 de maio de 2016 em Altamira, Pará, opera com regime próximo ao fio d’água. A usina ainda possui 18 turbinas, mas sua geração varia conforme a vazão do rio Xingu, especialmente na estação seca. Em 2024, a seca reduziu drasticamente a produção; mesmo com o reservatório, houve dias com apenas uma turbina em funcionamento.
O projeto, orçado em 19 bilhões de reais e estimado em mais de 30 bilhões ao fim, injeta energia à rede nacional, mas também altera o fluxo natural do Xingu. Parte do rio é desviada para turbinas, deixando a Volta Grande com menos água e impactos ambientais e sociais significativos.
A operação da usina depende de um hidrograma que regula a água que segue para a Volta Grande. Enquanto a concessionária diz cumprir as regras, o Ministério Público reivindica mais água para evitar danos socioambientais.
Impactos em comunidades ribeirinhas
Povo indígena Xikrin, moradores da Volta Grande e ribeirinhos relatam mudanças no ecossistema. A água mais baixa reduziu a disponibilidade de peixes e alterou o sustento de famílias locais. A área abriga indígenas e comunidades tradicionais que dependem do rio.
A região conhecida como Volta Grande tem até 5.000 km². Pequenas moradias tradicionais foram afetadas pelo desvio do curso natural do Xingu durante a construção da usina. Muitos tiveram de deixar as margens para reassentamento.
Relatos de pescadores indicam queda de ovas e menor abundância de peixes. Estudos do Movimento de Monitoramento Ambiental Territorial Independente apontam impactos na reprodução de espécies, com consequências para alimentação e renda.
A Norte Energia sustenta que o monitoramento indica continuidade de piracema e mantém que não houve ruptura ecológica. Pesquisadores independentes divergem, defendendo a necessidade de ajustes no hidrograma para evitar danos à vida aquática.
Reassentamento e vida no entorno
Anos após a inauguração, cerca de 3.850 famílias foram reassentadas em Altamira. Algumas moradias foram concluídas, outras ficaram abandonadas, e comunidades ainda aguardam aquisições de terras dentro de planos como o Território Ribeirinho.
Famílias que se mudaram para bairros promovidos pela empresa enfrentam dificuldades de adaptação e custos. Moradores que retornaram às margens relatam perdas de renda, pois a pesca tradicional ficou mais complexa.
A figura de líderes comunitários permanece ativa. Eles destacam a necessidade de monitoramento contínuo e de políticas públicas que assegurem retorno à margem, com compensação justa e salvaguardas ambientais. A questão segue em vias de negociação e ações judiciais.
Perspectivas em debate
Autoridades afirmam cumprir a legislação vigente, enquanto organizações civis e comunidades pedem revisão do regime de vazão. O objetivo é reduzir danos ambientais e assegurar meios de subsistência para quem depende do Xingu.
A pauta envolve também projetos de cooperação com universidades para ampliar a pesquisa sobre impactos ecológicos. A disputa entre o interesse energético e a proteção da vida no Xingu continua em aberto.
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