- O Brasil coleta cerca de 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, mas menos de 2% são reciclados ou compostados pelo sistema público.
- 24% dos resíduos vão para aterros controlados ou lixões, e a fração orgânica representa entre 40% e 60% do total gerado nas cidades.
- O diagnóstico aponta que a principal barreira não é tecnologia, e sim a coleta seletiva mal estruturada nas cidades, afetando a qualidade do material para processar.
- O custo econômico estimado pela falta de reciclagem e compostagem é de aproximadamente R$ 97 bilhões por ano no Brasil, podendo chegar a R$ 135,9 bilhões em 2050 se nada mudar.
- Florianópolis é exemplo nacional, com reciclagem relevante e desvio de cerca de 11% dos resíduos sólidos urbanos; o Guia Nacional de Coleta Seletiva de Resíduos Orgânicos Urbanos recomenda porta a porta, comunicação constante e engajamento para reduzir contaminação.
Durante a Semana da Compostagem Brasil 2026, foi apresentado um guia nacional para coleta seletiva de resíduos orgânicos urbanos. O objetivo é destravar o setor, hoje limitado pela forma de coleta nas cidades.
O diagnóstico aponta que o Brasil já tem tecnologia para compostar resíduos orgânicos, mas ainda falha na origem. A coleta seletiva continua sendo o principal gargalo para a qualidade do material processado.
O evento ocorreu em meio a dados que revelam perdas na água e no lixo. Segundo o SNIS, quase 38% da água tratada não chega à população, e grande parte dos resíduos orgânicos vai direto para aterros.
O que é compostagem e por que importa
Compor é transformar resíduos de alimentos e de jardins em adubo de forma controlada. O processo devolve nutrientes ao solo, reduzindo emissões de gases e o volume de resíduos em aterros.
A compostagem pode ocorrer desde casa até em usinas, com diferentes níveis de complexidade e custo. A ideia é ampliar o uso para além do ambiente doméstico.
Desafios na prática da coleta
Especialistas afirmam que a limitação tecnológica já não impede a compostagem; a coleta seletiva é o entrave principal. O material chega sujo ou contaminado, inviabilizando o processamento.
Contaminação desde a origem é citada como principal problema. Plásticos e objetos que não deveriam ir para a compostagem comprometem o produto final.
O guia e seus aprendizados
O guia nacional reúne experiências de diversas regiões para padronizar padrões de coleta de qualidade. Entre as estratégias, a coleta porta a porta aparece como a mais eficiente, com menor contaminação.
Ações como comunicação constante, incentivos econômicos e logística bem planejada aparecem como determinantes para aumentar a adesão.
Casos e metas
Dados nacionais indicam que 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos são gerados anualmente, com menos de 2% reciclados ou compostados pelo sistema público. A fração orgânica representa boa parte do lixo urbano.
A ausência de reciclagem e compostagem gera custos estimados em torno de 97 bilhões de reais por ano, com projeção de até 135,9 bilhões em 2050 se não houver mudanças.
Engajamento e continuidade
O Guia ressalta que municípios devem adaptar estratégias à realidade local, começando por resíduos verdes antes de avançar para orgânicos domésticos. A participação social é vista como essencial.
Casos como Florianópolis são citados como referência, com destaque para alta taxa de desvio de resíduos e boa participação da população na coleta seletiva.
Conclusões práticas
O documento enfatiza que quatro pilares são fundamentais: infraestrutura, incentivos econômicos, comunicação e governança. Não basta ter caminhões; é preciso organizar recipientes, frequência e engajamento.
Ao aumentar a compostagem, o país pode reduzir aterros, cortar emissões de metano e fomentar empregos locais. O guia oferece caminhos para começar de forma gradual, respeitando realidades regionais.
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