- Estudo liderado pela nadadora e cientista Valerie Gruest analisou 26 pesquisas com 6.111 pessoas, entre 18 e 33 anos, em sete países, sobre conteúdo de “fitspiration” nas redes sociais.
- A exposição a esse conteúdo, mesmo por curto prazo, aumentou a comparação social, piorou a imagem corporal e gerou emoções mais negativas.
- Além disso, houve maior motivação irrealista para dietas e exercícios, com efeitos consistentes entre diferentes gêneros, idades e Índice de Massa Corporal.
- No contexto de quase 100 milhões de publicações com as hashtags relacionadas, a pesquisa aponta impactos negativos potenciais para o bem‑estar mental dos jovens adultos.
- Os autores destacam a necessidade de entender melhor os efeitos da exposição contínua a esse conteúdo para promover hábitos mais saudáveis e realistas.
A pesquisa aponta que conteúdos de fitness nas redes sociais podem piorar a saúde mental de jovens adultos. Liderada pela nadadora e cientista Valerie Gruest, a análise questiona a ideia de que o conteúdo “fitspiration” seja apenas motivacional. Os resultados aparecem na revista Health Communication.
O estudo compõe 26 pesquisas, com 6.111 participantes entre 18 e 33 anos, de sete países. Os voluntários avaliaram a influência de posts sobre exercícios, alimentação saudável e padrões corporais idealizados na web.
Segundo Gruest, ainda que o conteúdo seja apresentado como saudável, pode provocar comparações prejuiciais e reforçar padrões irreais de corpo. A exposição breve já pode afetar autoestima e hábitos de dieta e treino.
A equipe ressalta o crescimento rápido do uso de redes sociais, que convidam à interação, mas também expõem usuários a padrões inalcançáveis. Conteúdos de fitness são amplamente visualizados, voluntariamente ou não.
Cenário global
Quase 100 milhões de publicações utilizam hashtags de fitspiration, com bilhões de visualizações em plataformas como Instagram e TikTok. O impacto na saúde mental permanece pouco estudado, dizem os autores.
Foram analisados dados de estudos entre 2015 e 2023, de EUA, Reino Unido, Austrália, Canadá, Irlanda, Itália e Nova Zelândia. Participantes viram de 10 a 100 imagens ou vídeos de inspiração fitness.
Conclusões apontam que a exposição a esse conteúdo aumenta a comparação social, piora a imagem corporal e eleva emoções negativas, além de estimular motivações irrealistas para dietas e exercícios. Resultados mantêm-se consistentes entre gêneros e faixas etárias.
A psicóloga Vladimir Melo, em Brasília, comenta que quem consome costuma já ter insatisfação com a imagem corporal. A exposição pode criar expectativa irreal e obsessão pelo corpo, prejudicando a autoestima.
Azevedo Floh, da USP, sugere estratégias para reduzir impactos: limitar o tempo de tela, criar momentos sem celular e buscar referências que valorizem diversidade corporal e saúde mental.
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