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Guardiões de sementes ajudam a preservar cultura alimentar em pequenas propriedades

Guardadores de sementes preservam culturas alimentares em pequenas propriedades; grãos crioulas reduzem custos de produção e fortalecem a soberania local

Ana Andréa Jantara mantém mais de 200 variedades de sementes em Palmeira, no Paraná. — Foto: Arquivo pessoal
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  • Rosana Martuchelli Nogueira, aos dezessete anos, começou a preservar sementes crioulas no Vale dos Lúcios, Teresópolis (RJ); as sementes não sofrem alterações genéticas e são protegidas por um microrganismo identificado com ajuda da Embrapa.
  • Hoje com cinquenta e um anos, ela mantém a genética de sementes ancestrais de milho e feijão, resistindo aos híbridos e ao retrabalho de recompras a cada safra.
  • Em Palmeira (PR), a agricultora Ana Andréa Jantara criou um banco com mais de duas centenas de variedades de sementes crioulas de grãos, legumes e hortaliças, buscando resgatar recursos para as próximas gerações.
  • Especialista Leandro Barradas ressalta que as sementes crioulas são mais rústicas e adaptadas ao ambiente de origem, garantindo soberania e autonomia aos produtores, ao contrário da semente híbrida, que envolve custo tecnológico.
  • Em Andradina, o milho transgênico chega a custar entre cinco mil e seis mil reais por hectare, enquanto o milho crioulo, em sistema agroecológico, fica entre um mil e dois mil reais por hectare.

Guardiões de sementes preservam cultura alimentar em pequenas propriedades, dando continuidade ao manejo de sementes crioulas. Em Teresópolis (RJ), há 34 anos a agricultora Rosana Martuchelli Nogueira acompanha a evolução das sementes herdadas pelos pais, que cultivavam para preservar a diversidade local.

Rosana, hoje com 51 anos, preserva milho e feijão sem passagem por melhoramento genético moderno. Ela explica que o segredo está na memória do solo e em um microrganismo que protege as sementes do caruncho, algo validado pela Embrapa. O interesse surgiu ao ver o avanço de híbridos na região.

Em Palmeira (PR), a agricultora Ana Andréa Jantara criou um banco com mais de 200 variedades de sementes crioulas de grãos, legumes e hortaliças. Ela relata que as sementes se tornam cada vez mais raras e decidiu resgatar esse patrimônio para as futuras gerações.

Para especialistas, as sementes crioulas apresentam alta rusticidade e melhor adaptação ao ambiente de origem, fortalecendo a soberania dos agricultores. O engenheiro agrônomo Leandro Barradas ressalta que esse tipo de semente evita o custo elevado associado ao plantio de híbridos.

Na prática, a diferença de custo é expressiva. Em Andradina (SP), o plantio de milho transgênico pode variar entre R$ 5 mil e R$ 6 mil por hectare, enquanto o milho criado no sistema agroecológico fica entre R$ 1 mil e R$ 2 mil por hectare, segundo Barradas. Essa relação econômica é citada como um fator de viabilidade para produtores familiares.

As ações de resgate de sementes crioulas, tanto em Teresópolis quanto em Palmeira, mostram o papel dos agricultores na manutenção de diversidade genética e na autonomia alimentar. O movimento segue buscando apoio técnico e financeiro para ampliar o acesso a essas sementes sem depender de insumos de alta tecnologia.

Esses bancos de sementes também recebem contribuições de produtores que encerram plantações, fortalecendo redes locais de troca e preservação. Com isso, comunidades inteiras preservam tradições agrícolas e padrões de consumo que valorizam alimentos tradicionais.

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