- O aquecimento global intensifica a transformação do mercúrio em metilmercúrio, mais tóxico e que se acumula na cadeia alimentar, potencialmente chegando aos humanos via peixes.
- Hoje, cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão espalhadas pelos oceanos, permanecendo no ambiente marinho por cerca de 300 anos.
- As estimativas foram revistas para baixo: antes se falava em até 100 milhões de toneladas e permanência de mais de 100 mil anos.
- A principal via de chegada do mercúrio aos oceanos é a atividade humana — queima de combustíveis fósseis, mineração, produção industrial e desmatamento; há também fontes naturais.
- O tema foi debatido na Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências, que discute o papel do mercúrio como poluente global e a necessidade de ações políticas, citando a Convenção de Minamata.
O aquecimento global intensifica a transformação do mercúrio em metilmercúrio, substância mais tóxica que se acumula na cadeia alimentar e pode chegar aos humanos via peixes. A afirmação foi apresentada durante a Reunião Magna da ABC, no Rio de Janeiro, no primeiro dia do evento.
Pesquisadores ressaltaram que cerca de 230 mil toneladas de mercúrio estão dispersas nos oceanos e podem permanecer no ambiente marinho por cerca de 300 anos. Dados esses, houve a revisão para baixo de estimativas anteriores, que apontavam até 100 milhões de toneladas e permanência de mais de 100 mil anos.
O estudo, apresentado pelo químico francês Lars-Eric Heimburger-Boavida, do Centre National de la Recherche Scientifique, aponta que grande parte do mercúrio chega aos oceanos por fontes humanas, como queima de combustíveis fósseis, mineração, indústria e desmatamento, além de contribuições naturais por vulcões e erosão de rochas.
Poluição global e dinâmica no ambiente
O biólogo Carlos Eduardo de Rezende, da UENF, destacou o papel do mercúrio como poluente global e sua interação com matéria orgânica em ecossistemas terrestres e costeiros. Segundo ele, o mercúrio circula pela atmosfera e se redistribui pelo planeta, com a matéria orgânica atuando como suporte que retém o metal e influencia sua mobilidade.
Regiões específicas, como a bacia do Rio Paraíba do Sul, já sofrem impactos da mudança de uso do solo na dinâmica do mercúrio. A atividade mineradora ilegal persiste na área, mesmo após a vigência da Convenção de Minamata sobre Mercúrio.
O pesquisador enfatizou a necessidade de novas pesquisas sobre o ciclo global do mercúrio, especialmente diante de mudanças climáticas, transição energética e maior envolvimento governamental na questão. A importância do tema para políticas públicas é destacada em meio a pressões sobre o oceano.
Sobre a reunião
O encontro da ABC segue até 7 de maio, reunindo pesquisadores nacionais e internacionais com foco em ciência oceânica. A edição deste ano é coordenada pelo acadêmico Luiz Drude de Lacerda, da UFC, que ressaltou o papel central do oceano para o funcionamento do planeta e para o bem-estar de milhões de pessoas.
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