- Paciente teve tecido testicular pré-púbere criopreservado aos 10 anos, antes da quimioterapia, e, dezesseis anos depois, retransplantado, passando a produzir espermatozoides.
- É a primeira vez que tecido testicular imaturo restaura a fabricação de gametas em um homem adulto; estudo liderado pela professora Ellen Goossens, da Vrije Universiteit Brussel.
- A instituição belga começou o armazenamento de tecido testicular de pacientes antes da puberdade em dois mil e dois, pois o tecido imaturo contém células-tronco espermatogônicas e células de Sertoli.
- Em dois mil e vinte e cinco, quatro fragmentos foram enxertados: dois deles no interior do testículo restante, dois sob a pele do escroto; após um ano, os enxertos produziram espermatozoides maduros, coletados e congelados; não há conexão direta com o ducto deferente, portanto não devem chegar ao sêmen naturalmente.
- Especialistas dizem que a técnica representa uma mudança de paradigma, mas ainda é uma prova de conceito que exige mais estudos sobre eficácia, segurança genética e desfechos a longo prazo; há debates éticos sobre consentimento e armazenamento, e a possibilidade de uso futuro em fertilização in vitro.
Um estudo com fertilidade isolou sinais promissores ao usar tecido testicular pré-púbere, congelado aos 10 anos, para restabelecer a produção de espermatozoides em um homem adulto. O retorno da função ocorreu 16 anos após o armazenamento, quando o tecido foi retransplantado.
A pesquisa foi liderada pela professora Ellen Goossens, da Vrije Universiteit Brussel, na Bélgica. O estudo aponta que o tecido imaturo contém células-tronco germinativas capazes de originar gametas, mesmo após conservar por anos. O achado é o primeiro a demonstrar esse retorno da capacidade de gametogênese em um adulto.
Em 2002, a instituição belga iniciou o armazenamento de tecido testicular de pacientes antes da puberdade. Os primeiros pacientes hoje têm cerca de 25 anos e já expressam interesse em formar família, incluindo o caso pioneiro que recebeu o retransplante.
Em 2025, quatro fragmentos de tecido foram enxertados no testículo remanescente e quatro sob a pele do escroto. Após um ano, os tecidos foram retirados e avaliados. Dois enxertos produziram espermatozoides maduros, coletados e congelados. Os gametas não se conectaram diretamente aos ductos, o que impede a fertilização natural.
Segundo especialistas, a abordagem representa uma mudança de paradigma, pois permite diferenciar células germinativas imaturas em gametas. Contudo, o benefício ainda é considerado uma prova de conceito, com necessidade de estudos adicionais sobre segurança genética, estabilidade epigenética e desfechos reprodutivos a longo prazo.
Desafios técnicos incluem padronização de protocolos, reprodutibilidade e critérios de indicação. Há também questões éticas sobre consentimento infantil e armazenamento prolongado de tecido biológico. Se confirmar segurança, a técnica pode integrar programas de preservação oncológica pediátrica.
O paciente pioneiro avalia se fará uma segunda rodada de enxertos para ampliar o chứa de espermatozoides ou seguirá direto para fertilização in vitro, para verificar a capacidade de fertilizar um óvulo com o gameta produzido.
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