- Pela primeira vez, pesquisadores avaliaram o risco de extinção de espécies dependentes do solo, incluindo animais, invertebrados e fungos, definindo 8.653 espécies que passam grande parte da vida no solo (plantas ficaram de fora).
- Cerca de quarenta por cento dessas espécies estão classificadas como ameaçadas ou com dados insuficientes na Lista Vermelha da IUCN.
- Entre as espécies examinadas, mais de vinte por cento estão ameaçadas e quase o mesmo percentual está com dados insuficientes; cerca de trinta e cinco espécies são consideradas extintas, como o rato-saltitante australiano Notomys e a minhoca Schmarda’s worm da Nova Zelândia.
- Há milhares de espécies dependentes do solo que ainda não constam na Lista Vermelha, o que dificulta conhecer o real risco de extinção, especialmente fungos e invertebrados que vivem debaixo do solo.
- Os autores sugerem criar uma Força-Tarefa de Biota do Solo da Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC) da IUCN para reunir especialistas e preencher lacunas, com ligação a redes internacionais de biodiversidade do solo.
Diante da primeira avaliação de extinção de animais, invertebrados e fungos que dependem do solo, pesquisadores estimam que 40% dessas espécies estejam ameaçadas ou com dados insuficientes. O estudo afirma que o risco de extinção ainda é pouco conhecido entre esses grupos. A análise envolve espécies que passam parte importante de seu ciclo de vida no perfil do solo ou na interface solo-lixo, sem incluir plantas.
A pesquisa identifica 8.653 espécies na Lista Vermelha da IUCN que atendem ao critério de dependência do solo. Entre elas estão vertebrados terrestres, invertebrados como artrópodos e moluscos, além de fungos. Segundo os autores, plantas foram excluídas porque a grande maioria é dependente do solo, o que tornaria a revisão centrada em plantas.
Mais de um quinto das espécies avaliadas aparece como ameaçada de extinção, e outra parcela similar é classificada como data deficient, ou seja, com informações insuficientes para definirem a condição de conservação. Ainda, cerca de 35 espécies são listadas como extintas.
Desafios na avaliação
Muitos milhares de species dependentes do solo ainda não constam na Lista Vermelha, indicando lacunas significativas. A dificuldade central é a escassez de dados sobre fungos e invertebrados, especialmente aqueles que vivem majoritariamente no solo. Em especial, não há dados suficientes para determinar o status de conservação de boa parte da fauna subterrânea.
Além disso, a extinção de espécies com uso de estruturas subterrâneas, como tocas, é ilustrativa de pressões como predação por gatos ferais e degradação de habitat, enfatizam os pesquisadores. Exemplos citados incluem Notomys fuscus, por trás da extinção, na Austrália, e Tokea orthostichon, na Nova Zelândia, possivelmente extinta pela transformação do solo e invasões.
Recomendações e impactos
Para preencher lacunas, os autores sugerem a criação de uma Força-Tarefa de Biota do Solo dentro da Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC) da IUCN. A iniciativa reuniria especialistas em solo para mapear vulnerabilidades e ampliar avaliações.
Especialistas externos destacam a necessidade de articulação com redes internacionais de biodiversidade do solo, incluindo a FAO e redes ligadas à biodiversidade do solo. A proposta é vista como essencial para compreender melhor a saúde global dos ecossistemas e orientar políticas de conservação.
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