- Fóssil Irritator challengeri, crânio de espinossaurídeo de cerca de 113 milhões de anos, foi extraído no Araripe, no Ceará, e adquirido pelo Museu de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, em 1991.
- Durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Alemanha, governos dos dois países divulgaram uma declaração conjunta anunciando a disposição de devolver o fóssil ao Brasil.
- Brasileiros vêm pedindo a restituição há anos; a campanha ganhou impulso após precedentes de repatriação de outros fósseis, com apoio de pesquisadores e da sociedade civil.
- Leis nacionais e acordos internacionais moldam o processo: desde 1942, fósseis são propriedade da União; exportação permanente exige autorização; a UNESCO criou mecanismos para coibir o tráfico de bens culturais.
- Ainda não há prazo definido para o retorno nem confirmação do local exato onde o Irritator ficará no Brasil; o caso é visto também como referência a debates sobre colonialismo paleontológico.
Um fóssil brasileiro de 113 milhões de anos, o crânio do dinossauro Irritator challengeri, pode retornar ao Brasil. O exemplo esteve ausente desde 1991, adquirido por um museu em Stuttgart, na Alemanha, e foi retirado da chapada do Araripe, no Ceará.
Brasileiros e a comunidade científica há anos reivindicam a devolução. Durante a visita do presidente Lula à Alemanha, em abril, governos dos dois países divulgaram uma declaração conjunta sinalizando disponibilidade do museu alemão para devolver o fóssil.
O Irritator vivia no período Cretáceo e mede cerca de 6,5 metros. Trata-se de um espinossaurídeo com crânio considerado o mais completo já estudado, segundo pesquisadores estrangeiros que analisaram o fósforo com tomografias.
O crânio do Irritator foi alvo de adulterações feitas por contrabandistas, que alongaram o focinho com gesso e massa automotiva para valorizar o item no mercado ilegal. A peça é parte de uma coleção que já ficou sob guarda de museus estrangeiros.
A campanha pela repatriação ganhou fôlego a partir de 2023, associada ao caso do dinossauro Ubirajara jubatus. Além de cartas abertas, uma petição na Change.org reuniu mais de 34 mil assinaturas, fortalecendo o movimento.
O governo alemão inicialmente resistiu à devolução, apontando que o museu teria adquirido o fóssil de um vendedor particular em 1991, o que, segundo a legislação local, justificaria a posse atual. A situação envolve acordos internacionais e leis nacionais.
Do lado brasileiro, a legislação desde 1942 entende que fósseis são patrimônio da União. A exportação permanente exige autorização da ANM, e qualquer saída do país depende de permissão federal. A Convenção da UNESCO também orienta o combate ao tráfico.
Especialistas lembram que o retorno do Irritator pode favorecer pesquisa, educação e turismo científico no Cariri e na chapada do Araripe. A discussão envolve ainda o debate sobre colonialismo paleontológico e repartição de benefícios.
Ainda não há prazo definido para o retorno, nem confirmação de onde ficará o fóssil no Brasil. A expectativa é de que o processo avance com apoio institucional e diplomático entre os dois países.
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