- Pela primeira vez, bebês foram submetidos a terapia intrauterina com células-tronco de placenta para tratar espinha bífida, estudo publicado na revista Lancet.
- Na fase inicial de segurança, seis bebês foram acompanhados; não houve problemas de segurança, infecções, vazamento de líquido ou tumores, e as cirurgias ocorreram conforme o planejado.
- A abordagem envolve aplicar um “curativo” de células-tronco da placenta na região aberta da coluna durante a cirurgia fetal, com o objetivo de regenerar tecido e proteger a medula espinhal.
- As imagens de ressonância magnética indicaram reversão da herniação do tronco encefálico em todos os bebês, e nenhum caso exigiu drenagem do líquido cefalorraquidiano.
- A agência regulatória dos Estados Unidos (FDA) autorizou avanço para a fase dois, com trinta e cinco pacientes, com acompanhamento até os seis anos para avaliar segurança a longo prazo e sinais de melhoria; ainda é um estudo inicial e requer centros especializados.
Durante a gestação, pesquisadores realizaram pela primeira vez um procedimento inédito com células-tronco para tratar espinha bífida ainda no útero. O estudo avaliou a segurança da terapia em seis bebês submetidos à cirurgia fetal com aplicação de células-tronco da placenta. O protocolo começou na fase gestacional e acompanhou os nascimentos seguintes, com resultados considerados promissores pela equipe.
A pesquisa, publicada na The Lancet, mostrou que o procedimento foi executado conforme o planejamento e não houve intercorrências graves relacionadas às células-tronco. As cirurgias foram concluídas com cicatrização das áreas tratadas, abrindo caminho para novas opções de tratamento pré-natal.
O que é a espinha bífida
A espinha bífida é uma malformação da coluna do bebê ainda em desenvolvimento. Em situações graves, a medula fica exposta, o que pode levar a sequelas motoras, urinárias e intestinais. Existem tipos variados, desde formas mais leves até a mielomelingocele, a mais grave, associada a maior probabilidade de danos neurológicos.
O que o estudo avaliou
O objetivo foi testar a segurança de uma terapia regenerativa que utiliza células-tronco da placenta, aplicadas diretamente sobre a área aberta da coluna durante a cirurgia fetal. As células atuam como um curativo que protege a medula e busca promover regeneração do tecido. A técnica é anunciada como a primeira terapia intrauterina com células-tronco para espinha bífida.
Resultados apresentados
No período de acompanhamento até o nascimento, não houve sinais de infecção, vazamento de líquido ou tumores na região tratada. As imagens de ressonância magnética mostraram reversão parcial da herniação em todos os bebês. Não houve necessidade de drenagem de líquido cefalorraquidiano por hidrocefalia.
A atuação da FDA — órgão regulador dos EUA — permitiu avançar para a segunda fase, com 35 pacientes. O objetivo é observar segurança a longo prazo e sinais iniciais de melhoria motora, urinária e intestinal até os 6 anos.
Perspectivas e limitações
Especialistas destacam que os resultados, embora encorajadores, correspondem a uma fase inicial com número limitado de casos. A eficácia ainda não pode ser comprovada em larga escala, e o acompanhamento a longo prazo é essencial para confirmar benefícios e potenciais riscos.
A técnica permanece restrita a centros altamente especializados. A seleção de gestantes candidatas envolve critérios rígidos de idade gestacional, localização da lesão e condições de saúde mãe-bebê. A adoção ampla dependerá da confirmação de resultados em estudos subsequentes.
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