- Laura Marise e Ana Bonassa, criadoras do canal Nunca vi 1 cientista, desmentem boatos de saúde com humor e vão ao São Paulo Innovation Week (13 a 15 de maio, na Faap e Arena Pacaembu).
- O festival, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, reúne mais de duas mil palestras sobre tecnologia e inovação.
- O projeto foca em desinformação de saúde e usa o formato “top surtos” para mostrar os boatos mais compartilhados que prejudicam tratamentos ou levam ao desperdício de alimento.
- Elas apontam que a desinformação ficou mais profissional, com profissionais de saúde criando perfis que disseminam falsas informações.
- Sobre IA, dizem que ela facilita a produção de conteúdo e que a prioridade é ensinar as pessoas a identificar uso de IA para não caírem em desinformação.
Desde 2018, a desinformação em saúde virou tema de atuação constante para a dupla Laura Marise e Ana Bonassa. Elas comandam o projeto Nunca vi 1 cientista, que desmentem boatos com bom humor e instruem o público a checar fontes. O trabalho ganhou reconhecimento com uma história em quadrinhos sobre o tema neste ano.
As divulgadoras integram o São Paulo Innovation Week, um dos maiores festivais de tecnologia e inovação do país. O evento ocorre entre 13 e 15 de maio, na Faap e na Arena Pacaembu, reunindo mais de 2 mil palestrantes. O Estadão é o realizador, em parceria com a Base Eventos.
A dupla afirma que a desinformação sobre saúde chega por meio de seguidores, redes sociais e conteúdo viral. A triagem fica por conta de consultar o alcance e o potencial dano, como tratamentos inadequados ou desperdício de alimentos. A IA não substitui a curadoria.
Com formação em bioquímica e biologia, as pesquisadoras contam que hoje a desinformação é mais profissional. Perfis criados por profissionais de saúde disseminam informações enganosas, o que dificulta a identificação do interesse por trás das mensagens.
Entre as estratégias, destacam a checagem da origem, formação e possíveis ganhos financeiros do emissor. A ideia é ensinar o público a questionar metodologias científicas, saber quando há fontes e entender que ciência se constrói com perguntas, não certezas absolutas.
O tom utilizado no canal mistura humor e rigor. Para as entrevistadas, divertir não é o oposto de sério; é um recurso que facilita o aprendizado de temas complexos sem perder a credibilidade.
Sobre o alcance da comunicação científica, as especialistas destacam que nem todos os conteúdos chegam de forma direta a quem está na defensiva. A persistência e a exposição gradual ajudam a ampliar a compreensão, mesmo em quem começa cético.
A conversa aborda ainda o papel da ciência na sociedade: a ciência não é neutra, porém deve ser apartidária. A diversidade na divulgação é essencial para ampliar o impacto e evitar que ciência vire assunto de alinhamento político.
Em relação à IA, apontam usos que aceleram a produção de conteúdos, o que aumenta o alcance de informações, positivas ou negativas. O desafio é ensinar a reconhecer quando a IA é empregada para viralizar sem fundamentação.
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