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Karanth: indignação pública se soubessem o que acontece com animais

Conservacionista Krithi Karanth, laureada com o Rolex National Geographic Explorer of the Year 2026, aponta necessidade de adaptação contínua entre humanos e vida selvagem e alerta para indignação pública

Krithi Karanth atua como conservacionista na Índia há mais de duas décadas
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  • Krithi Karanth foi reconhecida como Rolex National Geographic Explorer of the Year 2026, em homenagem a líderes que buscam soluções para desafios ambientais.
  • Ela sustenta que a relação entre humanos e vida selvagem exige adaptação contínua, não equilíbrio ou coexistência, devido a riscos, perdas e ferimentos.
  • Criou a iniciativa Wild Shaale, iniciada em 2018, que atende crianças próximas a áreas de preservação e já impactou cerca de 72 mil jovens em 39 reservas na Índia.
  • A conservação, segundo a pesquisadora, depende de trabalhar desde a base, construir confiança com atores locais e ampliar a circulação de narrativas sobre caça furtiva, tráfico e perda de habitats.
  • Ela ressalta a importância de vozes independentes para manter a verdade sobre conservação e, por analogia, no jornalismo, cobrindo riscos de perseguição a profissionais que expõem problemas ambientais.

Krithi Karanth, reconhecida bióloga ambiental, foi anunciada como Rolex National Geographic Explorer of the Year 2026. A entrega acontece em parceria entre Rolex e National Geographic, que reconhecem lideranças em soluções para desafios ambientais globais.

Aos dois anos, Karanth teve seu primeiro contato com um leopardo na floresta. Filha de um biólogo, cresceu nos Ghats Ocidentais, no sul da Índia, e desenvolveu seu foco em conservação durante o mestrado em Yale. Hoje atua há mais de duas décadas na área.

Ela enfatiza que a relação entre comunidades e vida selvagem exige adaptação contínua, não equilíbrio. Em entrevista à Marie Claire, a cientista destacou que encontros com animais trazem medo, perdas e, por vezes, ferimentos, o que demanda respostas constantes ao longo da vida.

Adaptação e educação como pilares

Karanth criou a iniciativa Wild Shaale em 2018, voltada a crianças próximas a áreas de preservação. O programa já atingiu cerca de 72 mil jovens em 39 reservas na Índia, visando mudar percepções desde a infância.

Para a pesquisadora, princípios ecológicos são universais, desde que se leve em conta o contexto local. Ela ressaltou que a conservação exige construção de confiança com atores locais, ao invés de soluções pontuais.

A entrevistada destacou ainda a complexidade de fatores que moldam a relação com a fauna, como religião, cultura e alimentação. Ela comparou com cenários de outras regiões, incluindo o Brasil, onde diferentes tradições influenciam a forma de valorizar os animais.

Desafios atuais e perspectivas globais

Karanth apontou a dificuldade de acompanhar redes de comércio ilegal por meio da internet e das redes sociais. Ela acredita que maior circulação de relatos sobre caça furtiva, tráfico e perda de habitat pode gerar indignação pública mais contundente.

Ao defender independência jornalística e científica, a pesquisadora afirmou que a transparência é essencial para revelar a verdade. Disse ainda que, sem vozes independentes, fatos relevantes podem ficar obscuros diante de pressões institucionais.

Na visão de Krithi, a conservação bem-sucedida depende de ampliar a participação de vozes locais e independentes. Ela reforçou que a mobilização comunitária é fundamental para moldar políticas públicas e práticas de manejo ambiental.

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