- A metanálise da Cochrane analisou 17 ensaios clínicos de nove anti-amiloides e sugeriu pouco ou nenhum benefício clínico, com risco aumentado de edema e hemorragia cerebral.
- Os resultados provocaram críticas de organizações internacionais e da ABRAz, que discordam da metodologia de agrupar drogas com resultados diferentes.
- Mesmo com limitações, alguns especialistas destacam que lecanemabe e donanemabe mostraram benefício em ensaios individuais, e podem abrir caminho para terapias futuras mais eficazes.
- Atualmente, remédios disponíveis para Alzheimer fora dos anti-amiloides são inibidores da colinesterase e memantina, que aliviam sintomas sem alterar a progressão da doença.
- Os especialistas ressaltam que o diagnóstico precoce, seleção de pacientes elegíveis e avaliação de risco/benefício são cruciais, já que os anti-amiloides apresentam efeitos colaterais relevantes e acesso desigual pode ocorrer.
O Alzheimer não tem cura e responde por mais da metade das demências. Nos últimos anos, remédios da classe anti-amiloide foram aprovados, adotados para retardar a progressão. Uma metanálise recente provocou polêmica ao questionar benefícios clínicos positivos desses fármacos.
A análise, publicada pela Cochrane, revisou 17 ensaios de nove anti-amiloides, com mais de 20 mil participantes. Em 18 meses, afirmou haver pouco ou nenhum efeito sobre a gravidade dos sintomas, além de riscos aumentados de edema e sangramento cerebral.
Especialistas apontam que a metodologia aglutinou medicamentos com eficácia distinta, o que pode diluir efeitos positivos observados em ensaios individuais. Mesmo assim, reconhecem que alguns remédios mostraram benefício preliminar em contextos específicos.
O que são anti-amiloides?
Esses remédios atuam na remoção da proteína beta-amiloide do cérebro. Embora reduzam a presença da proteína, isso nem sempre se traduz em cura ou reversão da demência. Lecanemabe e donanemabe, aprovados por agências regulatórias, mostraram desaceleração do declínio cognitivo em estágios iniciais.
Ainda não está claro se benefícios se sustentam no longo prazo ou se superam os riscos. A maioria dos especialistas recomenda diagnóstico precoce para identificar pacientes com maior chance de benefício.
Resultados da metanálise
A Cochrane agregou 17 ensaios com nove medicamentos, avaliando mais de 20 mil adultos com comprometimento cognitivo leve ou demência. Segundo os autores, não houve efeito clínico significativo esperado frente ao placebo após 18 meses, e houve maior incidência de edema e hemorragia cerebral.
Os autores destacam que a gravidade dos efeitos adversos não aumentou a mortalidade, mas os benefícios terapêuticos foram considerados pouco expressivos. A conclusão é de que novas drogas devem explorar outros mecanismos que vão além da remoção da beta-amiloide.
Opiniões de especialistas
Especialistas de várias partes do mundo divergem sobre a metodologia. Argumentam que agrupar fármacos com perfis diferentes pode distorcer resultados, escondendo benefícios de terapias aprovadas. Em contrapartida, defensores da metanálise afirmam que a comparação entre estudos ajuda a entender determinantes da inconsistência.
Pesquisadores ressaltam que a análise tem duração limitada, muitas vezes de 12 a 18 meses, o que não permite avaliar efeitos a longo prazo. Ainda assim, reconhecem que, para alguns pacientes, os anti-amiloides podem ter impacto relevante em certas circunstâncias.
Indicações e critérios de uso
A indicação é para estágios iniciais do Alzheimer ou comprometimento cognitivo leve, com exclusão de contraindicações como determinadas variações genéticas, microangiopatias e condições cardiovasculares relevantes. A avaliação clínica individual continua essencial para decidir o tratamento.
Especialistas ressaltam que o custo, o acesso a exames de acompanhamento e a relação benefício-risco devem orientar a decisão compartilhada entre médicos, pacientes e familiares.
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