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Megatsunami no Alasca: onda de 481 m agravada por derretimento de geleiras

Novo estudo liga recuo glacial a deslizamento que formou megatsunami de 481 metros no Tracy Arm Fjord, elevando o risco para o turismo de cruzeiro

Vista aérea do deslizamento de terra e tsunami de agosto de 2025 perto da geleira South Sawyer, no Alasca. — Foto: Cyrus Read/U.S. Geological Survey
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  • O megatsunami de Tracy Arm Fjord, no sudeste do Alasca, atingiu 481 metros de altura em agosto de 2025, segundo estudo publicado na Science.
  • O deslizamento envolveu cerca de 64 milhões de metros cúbicos de rocha de uma montanha próxima à geleira South Sawyer, que caiu quase 1 km até a água em menos de um minuto.
  • Pesquisadores apontam que o recuo das geleiras, acelerado pela crise climática, deixou a base da encosta exposta, contribuindo para o desabamento.
  • O evento gerou uma seiche de 36 horas no fiorde e ondas sísmicas equivalentes a magnitude 5,4.
  • O turismo de cruzeiros na região tem aumentado, indo de 1 milhão de passageiros em 2016 para 1,6 milhão em 2025; autoridades estudam monitoramento e planos de resposta, e algumas operadoras já suspenderam atividades no local.

O trecho de água congelada do sudeste do Alasca foi palco de um megatsunami de 481 metros no dia 8 de agosto de 2025, no Tracy Arm Fjord. O deslizamento ocorreu de uma montanha próxima à geleira South Sawyer, em menos de um minuto, lançando rocha na água e gerando uma onda gigantesca com impacto local.

Um estudo publicado na Science aponta que o colapso de encostas foi acelerado pelo recuo de geleiras, indicando relação com a crise climática no Ártico. O evento ocorreu por volta das 5h26 da manhã, horário local, quando a região recebe diariamente navios de cruzeiro.

A região, conhecida por paisagens glaciais, registrou árvores arrancadas e encostas devastadas após a onda. O estudo liderado pelo geomorfologista Dan Shugar aponta que cerca de 64 milhões de m³ de rocha despencaram, deslocando líquido com alta energia.

A investigação destaca que o gelo atuava como apoio natural para a encosta; com o recuo, a base do paredão ficou exposta, favorecendo o desabamento. O pesquisador Stephen Hicks reforça a relação entre derretimento e instabilidade rochosa no fiorde.

Implicações e cenário atual

Megatsunamis se formam por deslizamentos em áreas com águas confinadas, como fiordes, e não por terremotos. Este episódio ficou atrás do maior registrado, de 524 metros, em 1958, na Baía de Lituya, também no Alasca.

Além da onda principal, houve seiche de até 36 horas e ondas sísmicas equivalentes a magnitude 5,4. A recorrência de eventos assim pode aumentar conforme o derretimento de geleiras e a circulação turística nas regiões árticas.

Turismo e medidas de segurança

O estudo aponta crescimento do turismo de cruzeiro no Alasca, de 1 milhão de passageiros em 2016 para 1,6 milhão em 2025. Em Tracy Arm, navios com mais de 100 passageiros já estavam programados para entrar no fiorde. Duas grandes embarcações haviam passado pelo local no dia anterior.

Os autores defendem monitoramento de encostas, melhoria de modelos de previsão de tsunamis e protocolos específicos para áreas turísticas do Ártico. Algumas companhias já anunciaram a suspensão de operações em Tracy Arm por segurança.

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